31/07/2013

Cai apetite por crédito imobiliário

De acordo o colunista, os bancos tendem a ficar menos flexíveis em reduzir suas taxas de juros em novas operações e esse impacto já pode ser percebido no mercado

Crédito

Diminui o apetite. A expressão muitas vezes utilizada para falar de remédios que prometem ajudar no emagrecimento, para mim, é a melhor que descreve nosso atual cenário de relação entre a Selic e o crédito imobiliário. Até meados de 2012, o impacto direto que a Selic trazia sobre o financiamento da casa própria era no seu índice de correção, a TR (Taxa Referencial). Levando em conta que a fórmula de cálculo da TR desde 2008 tende a puxá-la para baixo, na prática, podíamos dizer que isso pouco afetava o mutuário.

De acordo com o colunista,
De acordo o colunista, os bancos tendem a ficar menos flexíveis em reduzir suas taxas de juros em novas operações e esse impacto já pode ser percebido no mercado (Foto: Banco de Imagens/ Think Stock)

 

Mas o que falar agora sobre o seu impacto? As principais fontes de financiamento, em especial de imóveis dentro do SFH, são a caderneta de poupança e o FGTS. No caso desse último, sua remuneração prefixada (de 3% a.a. + TR) “tabela” o custo do dinheiro. Já no caso da Poupança, essa realidade mudou. Até 2012, o rendimento era prefixado em 6% a.a. + TR. De lá pra cá, a regra foi alterada e a remuneração passou a ser de 70% da Selic toda vez que esta estiver em 8,5% ou menos, ficando na regra anterior se ultrapassar esse patamar. Na prática, significa dizer que o custo do funding de poupança pode oscilar toda vez que a Selic mudar.

 

Nos contratos em andamento, cujo financiamento imobiliário é de longo prazo, podemos imaginar que a alteração na Selic não terá impacto. No entanto, a alta dos juros altera algo fundamental para quem está pensando em contratar um financiamento agora: o apetite dos bancos em negociar suas taxas. Com um menor spread (diferença entre o custo do dinheiro e por quanto se empresta), os bancos tendem a ficar menos flexíveis em reduzir suas taxas de juros em novas operações, e esse impacto já pode ser percebido no mercado.

 

*Colunista do ZAP Imóveis e presidente do Canal do Crédito (www.canaldocredito.com.br)

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.