23/11/2007

Cai o despejo por falta de pagamento

Fonte: Jornal da Tarde

Número de ações despencaram 57% nos últimos dez anos, segundo pesquisa da Aabic

Lalo de Almeida/AEZap o especialista em imóveisJosé Roberto Graiche, da Aabic: está sobrando mais dinheiro no orçamento para evitar atrasos no aluguel

Por muitos anos a imprevisível relação entre locadores e locatários rendeu inúmeras e acaloradas discussões que chegavam até as últimas conseqüências. Nesta última
década, porém, uma série de mudanças econômicas, sociais e na legislação têm ajudado a amenizara “parceria comercial” conturbada. Hoje, os números comprovam um cenário mais pacífico.

Levantamento feito mensalmente pela Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (Aabic) mostra que asações de despejo por falta de pagamento caíram 57% nos últimos dez anos na cidade de São Paulo. Enquanto o ano de 1996 contabilizou 46.370 ações, espera-se menos de 20mil até o fim de 2007.

Segundo o presidente da Aabic, José Roberto Graiche, entre os principais fatores motivadores da queda está o aumento do poder aquisitivo do paulistano. “É claro que isso se deve à melhoria do poder aquisitivo, especialmente das classes C e D, que melhor posicionados no mercado, têm honrado seus compromissos”, afirma.

A diminuição das ações de despejo por falta de pagamento segue trajetória decrescente de todos os tipos de ações–ordinárias, renovatórias e consignatórias. Além da melhoria econômica dapopulação, analisa Graiche, os resultados
positivos resultam dos avanços das leis que regem o mercado de locação.“ Graças à estabilidade da moeda, o controle da inflação e as alterações na Lei do Inquilinato, o total de 65 mil ações anuais de todos os gêneros foi reduzido em mais de 64%, devendo fechar o ano abaixo da média de 23 mil ações”, acredita.

De acordo com ele, os índices positivos refletem também o
aquecimento das locações. “Em décadas passadas, o proprietário preferia deixar o imóvel fechado pois o aluguel não compensava. Agora, não apenas quer alugar seu imóvel como oferecê-lo em ótimo estado deconservação. E o faz sem medo, pois poderá recuperar o imóvel, ao término do contrato ou a qualquer momento, desde que amparado pelas leis”, diz.

Para o diretor jurídico da Aabic, Rubens Elias Filho, além da fiança, seguros e pagamentos antecipados, o locador encontra garantia na legislação. “Temos uma lei hoje que dá efetividade, que faculta a desocupação do imóvel em seis meses. Isso desestimula a inadimplência, faz com que o locatário se preocupe em pagar em dia. O locatário fica sujeito a despejo forçado pela lei do inquilinato e multa alta”, explica.

Ele conta que também hoje as próprias administradoras já se encarregam de levantar o perfil dos candidatos à inquilino, o que reduz riscos de inadimplência. “A análise do inquilino é muito bem feita para diminuir o risco. Por isso o mercado evoluiu muito e está bem aquecido”,completa.

 

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