09/09/2008

Caixa amplia prazo para consórcio da casa própria

Fonte: Jornal da Tarde

Pagamento da carta de crédito passa a ter tempo mínimo de 120 meses, ante os 60 meses que vigoravam até agora. O valor mais baixo também muda: sobe de R$ 20 mil para R$ 30 mil. Objetivo é reduzir o valor das parcelas

Quem sonha com a casa própria, mas tem dificuldade em conseguir crédito, ganhou mais um estímulo no mercado de consórcio imobiliário. A Caixa Econômica Federal, segunda maior instituição do segmento no País, dobrou de 60 para 120 meses o prazo mínimo de pagamento da carta de crédito. Com isso, o banco reduz pela metade o valor das parcelas e, conseqüentemente, a renda mínima exigida para fechar o negócio.

A Caixa também elevou de R$ 20 mil para R$ 30 mil o valor mínimo da carta de crédito, que tem limite máximo de R$ 300 mil. Segundo o banco, as modificações têm por objetivo se adequar a demanda do mercado e facilitar o acesso ao crédito imobiliário pelas famílias de menor renda. “Ao aumentar o prazo de pagamento, a gente faz com que as prestações caibam no bolso do consorciado”, explica a gerente de produtos da Caixa Consórcios, Kenia Taís de Souza Soares.

Em uma simulação feita pelo vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, a pedido do JT, para uma carta de crédito de R$ 100 mil, constata-se que o valor da primeira prestação no consórcio de 120 meses custa metade daquele com prazo de 60 meses. “Como no consórcio as pessoas não podem comprometer mais de 30% da renda com as prestações, sem dúvida, o alongamento do prazo torna a carta mais acessível”, afirma Oliveira.

Por outro lado, diz ele, o valor final pago pela compra do imóvel encarece com o pagamento ampliado. Na mesma simulação, a diferença entre ambos é de 13,8%. Isso porque embora a consórcio não sofra a incidência de juros, ao contrário do financiamento imobiliário tradicional, suas prestações são corrigidas anualmente com base no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculada em torno de 5% ao ano. Ou seja, quanto maior o número de prestações, mais reajustes serão aplicados.

Opção de longo prazo

Apesar de mais atraentes do que o financiamento, do ponto de vista financeiro – na mesma simulação de R$ 100 mil, o valor total pago na carta de crédito de 120 meses é 13,9% inferior -, o consórcio só é indicado para quem não precisa se mudar para o imóvel imediatamente. “O consórcio não tem taxa de juros, mas a pessoa precisa ser sorteada ou fazer um lance”, esclarece o professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite. Caso contrário, a carta pode ser liberada apenas no término das prestações. “Para quem não precisa de um imóvel de imediato, pode ser um ótimo negócio”.

De acordo com a gerente de produtos da Caixa, Kenia, os consorciados costumam ser contemplados antes do prazo limite – até 150 meses. “Mas isso depende da saúde financeira do grupo. Quanto maior o saldo e menor a inadimplência, mais rápido sai.” O banco tem hoje 386 grupos de consórcio no País, o que soma 110,2 mil consorciados ativos. A média é de três contemplações por grupo a cada mês.

Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), havia em julho no Brasil 494,9 mil consorciados ativos, número 12,1% superior aos 441,7 mil do mesmo mês em 2007.

Simulações

Crédito no valor de R$ 100 mil

Consórcio 60 meses

1ª prestação: R$ 1.983,34

Última prestação: R$ 2.410,76

Renda exigida: R$ 7.933,63

Valor total: R$ 131.510,23

Consórcio 120 meses

1ª prestação: R$ 991,67

Última prestação: R$ 1.538,40

Renda exigida: R$ 3.966,68

Valor total: R$ 149.677,16

Financiamento 120 meses

1ª prestação: R$ 1.834,47

Última prestação: R$ 938,02

Renda exigida: R$ 7.338,28

Valor total: R$ 170.478,04

Tanto para consórcio como para o financiamento bancário foi usada a regra de que a prestação comprometa 25% da renda.

Como funciona o consórcio imobiliário

As prestações mensais não são acrescidas de taxa de juros, como no financiamento bancário. Mas as instituições de crédito podem aplicar correções anualmente com base no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

Ao comprar a carta de crédito, o consorciado deve esperar até o fim do pagamento das prestações para receber as chaves do imóvel. Porém, é possível adiantar o crédito fazendo lances mensais (como em um leilão) ou em sorteios pela Loteria Federal.

O valor das prestações tem na base cálculo uma taxa de administração antecipada que incide sobre as quatro primeiras parcelas, outra taxa fixa (cerca de 17%), um fundo de reserva (5%) e seguro (0,039% do saldo devedor inicial).

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