13/02/2008

Caixa reduz juro para compra de imóvel com recurso da poupança

Fonte: O Estado de S. Paulo

Taxas para financiamento têm queda de até 1,5 ponto porcentual ao ano em relação a 2007

Jonne Roriz/AEZap o especialista em imóveisImpulso – Caixa pretende usar dois terços do FGTS no crédito habitacional, o equivalente a R$8 bilhões

A Caixa Econômica Federal anunciou ontem a redução das taxas de juros para compra de imóveis com recursos da poupança. A queda pode chegar a 1,5 ponto porcentual ao ano em relação aos menores valores cobrados em 2007, considerando-se a taxa de juros efetiva.

No caso da taxa nominal, a queda máxima é de 1,35 ponto porcentual ao ano ante 2007. “A Caixa acredita que a economia brasileira continuará bem. O crédito de longo prazo não é influenciado por qualquer soluço no primeiro ano de financiamento. Acreditamos que é possível reduzir os juros”, afirmou o vice-presidente de Governo da Caixa, Jorge Hereda.
Para compra de imóveis novos ou usados de até R$ 130 mil a menor taxa cobrada pela Caixa no ano passado era de 9% e passa a ser de até 8,4%. Para imóveis de R$ 130 mil a R$ 200 mil a taxa efetiva cai de 10,5% para até 9,5%.

Em caso de financiamento de R$ 200 mil a R$ 350 mil e valores financiados até R$ 245 mil a taxa passa de 11,5% para 10,5%. Acima de R$ 350 mil ou com valores financiados superiores a R$ 245 mil – ou ainda para compra de lote urbanizado de qualquer valor – houve redução de 12,5% para 11%.

Segundo o banco, as taxas de juros são mais atrativas para clientes que optarem pelo débito da prestação e tiverem o pacote básico de conta corrente com cheque especial e cartão de crédito da Caixa. Nos valores acima de R$ 350 mil e valor financiado superior a R$ 245 mil haverá aumento do prazo máximo, de 180 para até 360 meses. E da cota de financiamento de 70% para até 80%, conforme o prazo contratado. Para o financiamento à produção, a Caixa reduziu a taxa de juros de 11,39% ao ano mais TR para 9,5% ao ano mais TR.

Hereda disse que a instituição pretende utilizar dois terços dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para financiamento habitacional. Segundo ele, somando-se os recursos para subsídios e para a linha pró-cotista, a Caixa deverá utilizar R$ 8 bilhões dos cerca de R$ 12 bilhões do FGTS para habitação.

Recentemente, bancos comerciais deram início a acordos com a Caixa, administradora do FGTS, para repassar recursos do Fundo para habitação. “Foi uma solução razoável e quem ganha é a política habitacional”, afirmou Hereda.

Na tentativa de reverter a imagem associada à burocracia na concessão de crédito habitacional, a Caixa está investindo na melhora do atendimento à pessoa física e às empresas. Para compradores de imóveis, o banco lançará as Ilhas Habitacionais – com equipes que poderão atender até dez clientes simultaneamente – em 825 agências responsáveis por 80% dos financiamentos imobiliários.

E também dará continuidade aos feirões da casa própria. Em 2007, foram dez feirões e 30 feiras, com 11.078 negócios fechados, no valor total de R$ 479 milhões, e encaminhamento de 48.153, somando R$ 2,3 bilhões.

Securitização

A Caixa continua preparando contrato para securitizar os R$ 2 bilhões da carteira de empréstimos habitacionais, segundo Hereda. Para ele, ainda “falta um passo importante” – equacionar a exigência de que 65% dos recursos da poupança sejam destinados ao financiamento habitacional com a não contagem dos recursos securitizados para essa exigibilidade. Segundo o vice-presidente da Caixa, se o valor securitizado não fosse descontado do montante para cumprimento da exigência, o mercado secundário “teria condições de rodar”.

Hereda destacou que a criação de um fundo de liquidez para os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) está sendo discutida. “Os bancos deveriam se unir para criar o fundo de liquidez.”

No ano passado, as contratações de recursos da Caixa para habitação, saneamento e infra-estrutura chegaram a R$ 37,2 bilhões, valor recorde nos últimos dez anos. Do total, R$ 21,5 bilhões foram destinados à habitação e R$ 15,7 bilhões, a outras áreas.

Números

8,4% ao ano
é a nova taxa da Caixa Econômica Federal para compra de imóveis de até R$ 130 mil

10,5% ao ano
passa a ser taxa de juros para o financiamento de imóveis no valor de R$ 200 mil a R$ 350 mil

11.087 negócios
foram fechados nos feirões da casa própria feitos pela Caixa no ano passado, somando R$ 479 milhões

 

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