22/07/2009

Caixa reduz valor do seguro da casa própria em 40%

Fonte: Jornal da Tarde

Novos preços entram em vigor em 1º de agosto. Medida vai beneficiar o mutuário, visto que o serviço representa de 5% a 30% da prestação mensal do imóvel

(Foto: Divulgação)
Seguro pode representar entre 5% e 30% da prestação (Foto: Divulgação)

A Caixa Econômica Federal vai reduzir o preço do seguro habitacional em 40%. Os novos valores entram em vigor a partir de 1º de agosto. A informação é de Ricardo Talamini, diretor de Seguros para Financiamentos e Operações Financeiras da Caixa Seguros.

O seguro, que é contratado junto com o financiamento, cobre morte e invalidez do mutuário, além de danos causados ao imóvel. Definido a partir de combinação que considera a idade do titular do financiamento, o volume do saldo devedor e o valor do bem, o seguro pode representar entre 5% e 30% da prestação.

A redução anunciada pela Caixa antecipa a regulamentação que está sendo preparada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em parceria com o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), a fim de intensificar a concorrência neste mercado. Pelas regras em gestação pelos dois órgãos, formados por representantes de diferentes áreas do governo, os bancos terão de oferecer ao menos quatro opções de seguro habitacional, além do próprio, no momento do financiamento.

O primeiro passo foi a edição da Medida Provisória 459, em março. A MP, que instituiu as regras do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, determinou, entre outras mudanças, que os bancos ofereçam sua alternativa de seguro mais outras quatro da concorrência.

Segundo Talamini, até o momento a regra vale para imóveis até R$ 130 mil, faixa de valor coberta pelo programa do governo, mas será estendida para todas as modalidades do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), para imóveis até R$ 500 mil.

Laerte Temple, coordenador do curso MBA de Negócios Imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), afirma que a medida deve fazer diferença no bolso do consumidor. Temple observa que cada seguradora tem critérios próprios para definir os riscos a partir das diversas variáveis, como idade, renda e localização do imóvel, o que fará diferença no preço final. Temple acredita que, na prática, a instituição que estiver fechando o contrato concordará em reduzir seu preço para não dar espaço ao seguro da concorrência.

Segundo João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação do Estado (Secovi-SP), a medida entrará em vigor até outubro e deve acirrar a concorrência no setor de seguro habitacional. “Quem tem renda acima de dez mínimos (R$ 4,65 mil) será favorecido.”

Crestana lembra que a Caixa detém cerca de 90% do mercado de financiamento na faixa até dez mínimos e 50% da parcela em que estão as famílias com renda superior a este valor.

Leoncio Arruda, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP), afirma que as novas regras devem pôr fim à cobrança linear do valor do seguro habitacional, prática que classificou de comum entre as instituições que oferecem financiamento imobiliário. “Um consumidor com 30 anos recebia a mesma avaliação que um de 60”, critica.

De acordo com simulação realizada pelo Jornal da Tarde no site da Caixa, o financiamento de um imóvel de R$ 150 mil, na cidade de São Paulo, por alguém com 35 anos de idade, teria, como prestação inicial, R$ 1.414, dos quais R$ 51,86 corresponderiam ao seguro habitacional (veja quadro). Com a redução de 40% a parte do seguro cairia para algo como R$ 31 e a parcela, para R$ 1.393.

Procuradas pela reportagem, as demais instituições financeiras não informaram se pretendem reduzir os preços dos seguros habitacionais. O Banco do Brasil informou que monitora “constantemente” o mercado.

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