12/02/2010

Camargo Corrêa compra mais 6,5% da Cimpor

Fonte: O Estado de S. Paulo

Negócio de cerca de 300 milhões garante à empresa mais de 28% da cimenteira portuguesa

Um dia depois de surpreender o mercado com a compra da maior participação individual na cimenteira portuguesa Cimpor, a Camargo Corrêa deu uma nova tacada: fechou ontem a compra da fatia de 6,5% que o grupo espanhol Bipadosa tinha na Cimpor. A operação envolve cerca de 300 milhões, como a reportagem do Estado antecipou ontem à tarde na AE Broadcast e no site Economia & Negócios, do portal do Estadão.

A Camargo pagou 6,50 por ação, mesmo valor pago anteontem pelos 22,2% que o empresário Teixeira Duarte detinha na cimenteira portuguesa. Com essa nova aquisição, e como ainda tem a opção de compra de outros 3%, a Camargo chega aos 32% de participação que tinha intenção de atingir na Cimpor. Torna-se, de longe, o maior acionista individual da empresa portuguesa ? 11ª maior cimenteira do mundo.

Ao mesmo tempo em que negociava com a Bipadosa, a Camargo discutiu a compra de parte da participação do empresário José Manuel Fino, dono de 10,7% da cimenteira. Essas conversas foram suspensas. Pela legislação portuguesa, se atingir uma participação superior a 33%, o grupo brasileiro teria de fazer uma oferta pública de aquisição (OPA) do grupo todo, o que neste momento está fora de seus planos.

“Mas poderemos fazer uma oferta pública dentro de alguns meses”, disse ao Estado um executivo ligado à Camargo nessa operação. “Tudo vai depender dos próximos passos dos concorrentes”. Os concorrentes, no caso, são os também brasileiros Votorantim e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que também cobiçam a cimenteira portuguesa. Na semana passada, a Votorantim comprou 17,3% da cimenteira e tornou-se sua segunda maior acionista.

As atenções, agora, estão voltadas para a oferta pública de ações da CSN ? cujo prazo vence na semana que vem ? com o objetivo de adquirir a totalidade das ações da Cimpor. A CSN ofereceu 5,75 por ação e aceita comprar até 100% dos papéis ? desde que tenha garantia de conseguir uma participação acima de 50%, o que lhe garantiria o controle da Cimpor. A CSN tem prazo até hoje para modificar essa proposta.

Mas, depois dos lances da Camargo e da Votorantim, o cenário ficou complicado para a CSN. Para conseguir o controle da Cimpor, teria de necessariamente comprar fatias das duas rivais brasileiras. “Essa hipótese é remota, mas ninguém sabe que tática eles têm na cabeça”, afirma um executivo ligado à Camargo.

REAÇÃO – A reação da CSN, por enquanto, ocorre no campo administrativo. Os advogados da siderúrgica foram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pedindo a suspensão dos negócios da Camargo e da Votorantim. De acordo com a queixa da CSN, os negócios fechados em Portugal podem aumentar a concentração no mercado brasileiro de cimento.

Em entrevista ao Estado na quarta-feira, o presidente do conselho de administração da Camargo, Vitor Hallack, discordou dessa avaliação. “Ainda que a Camargo tivesse o controle total da Cimpor, o que não é o caso, nossa participação de mercado no Brasil não caracterizaria concentração”, disse o executivo. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento, em setembro de 2009 a Camargo tinha uma participação de mercado de 9,9% e a Cimpor, de 8,7%.

O objetivo da Camargo é fazer uma fusão de seus ativos de cimento com a Cimpor. Maior indústria de cimento da Argentina e terceira maior do Brasil, a Camargo tirou do setor quase 15% de sua receita líquida de R$ 16 bilhões no ano passado.

ESTRATÉGIA – Ao lado das áreas de concessões (rodoviárias e de energia) e de infraestrutura, o cimento é uma das prioridades do grupo para os próximos anos. Com a Cimpor, a Camargo ganha acesso a operações em mais de 12 países e uma boa participação no mercado de países emergentes como China, Índia e Turquia.

 

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.