14/01/2010

Camargo Corrêa propõe fusão com a Cimpor

Fonte: O Estado de S. Paulo

Cimenteira portuguesa, uma das maiores do mundo, já recebeu uma oferta de compra da CSN

Uma semana depois de o conselho de administração da cimenteira portuguesa Cimpor rejeitar a oferta de compra feita pela CSN, a Camargo Corrêa anunciou ontem uma oferta de fusão com o grupo português. Pela proposta, a Camargo Corrêa compraria inicialmente de 15% a 25% do grupo português. Depois, integraria os ativos da Camargo Corrêa Cimentos com a Cimpor. A partir daí, seria feita uma equalização dos ativos dos dois grupos para se chegar à nova divisão acionária. No caso de essa equalização dar mais de 50% da nova empresa à Camargo, o grupo se comprometeu a vender as ações em excesso, de forma a ficar com menos de 50% do capital.

De qualquer forma, a empresa brasileira seria a maior acionista da Cimpor (atualmente, o maior acionista é o grupo português Teixeira Duarte, com 23% das ações, enquanto a francesa Lafarge tem 17%). Em nota, a Camargo Corrêa disse que seu objetivo é “maximizar o valor dos ativos e do know-how dos dois grupos, reforçando a Cimpor como uma líder mundial com grande enfoque nos mercados emergentes, mantendo-se como uma empresa portuguesa, sediada em Lisboa”. A proposta prevê também um pagamento extra de 350 milhões aos acionistas da Cimpor, que viria por meio de uma capitalização da Camargo.

A Cimpor está entre as dez maiores produtoras mundiais de cimento, com operação em diversos países. No Brasil, o grupo português é o quarto maior do setor, com seis fábricas de cimento preparadas para produzir 6,4 milhões de toneladas. A Camargo Corrêa, por sua vez, é a terceira maior produtora de cimento do Brasil, atrás da Votorantim e do grupo J. Santos. Se a fusão for concretizada, será criada a segunda maior empresa do setor no País.

AVALIAÇÃO – O grupo português informou, também em nota, que não seria possível emitir uma opinião sobre a proposta recebida, mas disse que ela seria analisada “cuidadosamente”. A avaliação dependerá da assembleia geral de acionistas da Cimpor. “Esta proposta pretende servir de base às negociações entre as duas empresas, ficando a fusão dependente da existência de acordo, entre ambas, quanto aos termos finais da mesma”, informou a empresa portuguesa. Segundo o comunicado, a concretização da fusão está sujeita ao cumprimento de condições prévias, incluindo a compra de uma participação de 15% a 25% do capital da Cimpor pela Camargo. “Quanto a este aspecto, o proponente esclareceu que a aquisição não terá lugar através de oferta pública e não ocorrerá necessariamente em operação de mercado”, disse a Cimpor. O valor a ser pago por essas ações não foi revelado pelas empresas.

Apesar da nova oferta, a proposta da CSN ainda não está descartada. Na sexta-feira, o presidente da siderúrgica, Benjamin Steinbruch, disse que iria tentar convencer os acionistas de que a oferta feita pela empresa, de 5,75 por ação (o que dá à Cimpor um valor de cerca de 3,7 bilhões) é justa. “Não tive oportunidade de conversar com cada acionista, mas se eles fizerem uma análise técnica e racional vão perceber que esta é uma das melhores ofertas já feitas por uma empresa de cimento nos últimos anos”, disse. Um dia antes, o conselho de administração da Cimpor havia classificado a oferta de “oportunista, irrelevante e perturbadora da atividade da empresa”, recomendando aos acionistas que a rejeitassem. A CSN não quis comentar a entrada da Camargo Corrêa nessa disputa.

Em Portugal, a proposta da Camargo Corrêa foi recebida com um certo ceticismo. Para analistas locais, a novela que envolve a Cimpor está longe de acabar, e a proposta da Camargo acaba sendo um incentivo para que a CSN eleve o valor de sua proposta. As ações da Cimpor chegaram a subir 8% após o anúncio da oferta, mas depois caíram e acabaram fechando o dia praticamente estáveis, cotadas a 6,43.

Ontem, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de Portugal solicitou à Camargo que esclareça algumas dúvidas sobre a oferta. Uma delas é a questão da vinculação do acordo à compra de uma participação de 15% a 25% do capital da empresa portuguesa. (Com Agências)

 

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