12/01/2010

Camargo Corrêa vende unidade por R$ 170 milhões

Fonte: O Estado de S. Paulo

A Camargo Corrêa decidiu se desfazer de sua empresa de projetos de engenharia, a Cnec. A construtora brasileira vendeu o negócio por R$ 170 milhões para o grupo australiano WorleyParsons. O contrato foi selado no dia 31 de dezembro. A transação faz parte da estratégia da Camargo Corrêa de focar em suas áreas principais, como construção, cimento, concessões de rodovias e a área de energia. O objetivo é fazer caixa para investir e aumentar o faturamento.

A saída da Cnec é um negócio pequeno nessa estratégia. Conforme reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em agosto, a Camargo estudava colocar à venda alguns ativos importantes, como as participações acionárias na holding bancária Itaúsa, na fabricante de alumínio Alcoa e na gigante do denim (tecido para jeans) Tavex. “Lá atrás o doutor Sebastião Camargo (fundador da Camargo Corrêa) avaliou que valia a pena investir desde a engenharia até a construção. Agora, a visão do grupo é concentrar nas suas principais capacidades”, contou o presidente da Cnec, José Aires de Campos.

Fundada em 1959 por professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), a Cnec foi incorporada dez anos depois pelo grupo Camargo Corrêa. A venda ampliou o leque de serviços da empresa, que cresceu bastante. No entanto, desde o final de 2007 a Cnec está sendo estimulada a se tornar mais independente. Segundo Campos, o vínculo com a construtora dificultava fechar negócios com outras empresas do ramo, que temiam o vazamento de informações sigilosas. E a Cnec não tinha exclusividade nos projetos de engenharia da Camargo.

Outro problema importante ocorria na licitação de obras públicas. A legislação brasileira impede que o governo contrate os serviços de engenharia e de construção no mesmo grupo. “Como a licitação para engenharia ocorre antes, nem participávamos de alguns projetos para evitar conflito de interesse no futuro”, disse Campos.

Mas o relacionamento entre Cnec e Camargo Corrêa não vai desaparecer. Segundo o executivo, vai ocorrer “caso a caso, projeto a projeto”. Por exemplo: a Cnec é hoje uma das empresas de engenharia mais envolvidas na construção da hidrelétrica de Belo Monte, em parceria com a Camargo Corrêa. Se conquistar a concessão, a construtora terá liberdade para contratar os fornecedores e deve chamar a Cnec. Caso a Camargo Corrêa perca o negócio, a Cnec também fica de fora.

Para Campos, a venda para o WorleyParsons agrega expertise à Cnec porque as atividades são complementares. O foco da empresa brasileira está na construção de hidrelétricas, enquanto o grupo australiano é forte nos projetos de petróleo e gás e de mineração.

“Vamos agregar produtos ao portfólio. Acreditamos que é uma chance de a Cnec deslanchar, principalmente nos setores de petróleo e gás, que vão crescer muito no Brasil”, disse Campos, referindo-se às obras previstas para a exploração do pré-sal.

Para o grupo australiano, a compra da Cnec é uma oportunidade de “fincar os pés” no mercado brasileiro, afirmou o vice-presidente de operações para América Latina e Caribe do WorleyParsons, Simon Carter. “Até agora, tínhamos uma presença muito pequena no Brasil”, disse Carter.

Segundo ele, a companhia brasileira também será utilizada como plataforma para fazer projetos de engenharia nos demais países da América Latina O conhecimento da Cnec em hidrelétricas poderá até mesmo ser utilizado pelos australianos em outras regiões do planeta.

O grupo WorleyParsons está presente em 37 países, emprega 29 mil pessoas e faturou US$ 6 bilhões no ano fiscal encerrado em julho de 2009. Já o faturamento da Cnec foi de R$ 225 milhões no ano passado.

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