07/08/2009

Carta branca para o talento

Fonte: O Estado de S. Paulo

Entidade francesa financia projetos de jovens designers: com apoio a nomes como Philippe Starck e Jean Nouvel

Bookshelf Unit, estante de Itamar Burstein (Foto: Divulgação)
Bookshelf Unit, estante de Itamar Burstein (Foto: Divulgação)

São Paulo – Na França, a palavra inovação rima com design. Que o diga o VIA (Valorisation de l””Innovation dans l””Ameublement – ou Valorização da Inovação no Móvel), o principal órgão promotor do design francês, criado pela indústria do móvel – com apoio dos Ministérios do Comércio e da Indústria – e que, há quase 30 anos, faz jus ao nome.

E não se trata de um exercício de retórica: por meio de três modalidades diferenciadas de incentivo ao design, a entidade, na prática, já distribuiu 64 Cartas Brancas – em outras palavras, o pleno financiamento de projetos anualmente selecionados, além de patrocinar a produção de centenas de protótipos criados por jovens profissionais.

Uma realidade já vivenciada por criadores hoje consagrados como Jean Nouvel e Philippe Starck. E, mais recentemente, Jean-Marie Massaud, Matali Crasset e Inga Sempé. Como ponto culminante de um processo que vai do esboço ao protótipo , a entidade patrocina duas mostras retrospectivas em feiras internacionais: uma em Paris e outra em Milão.

Selecionados por um comitê de notáveis – composto por figuras de destaque da indústria, criação e educação franceses -, a qualidade dos projetos VIA salta aos olhos. Surpreendem, antes de tudo, por sua atualidade e vigor. Mas também por sua pertinência e preocupação com a viabilidade, salutar em se tratando de designers em início de careira. 
 
BOOKSHELF UNIT, ESTANTE DE ITAMAR BURSTEIN – Conduzido pelo designer Philippe Rahm, o programa Carte Blanche deste ano teve como meta estimular a reflexão sobre o espaço vital. Sob o tema Terroirs déterritorialisés (em tradução livre, terrenos sem território), o objetivo foi discutir conceitos aparentemente antagônicos, como “interiores versus exteriores” ou ainda “meio natural versus artificial”.

Com base na constatação de que o que acontece fora da casa vai cada vez mais definir o que se passa dentro, o designer apresentou propostas que tinham como matéria-prima a temperatura, a luz e o ar. E como objetivo último, “naturalizar” o espaço doméstico, sem conspirar contra o aumento da poluição ou do aquecimento global.

Por sua vez, o projeto Assistance Grants, que provê o financiamento dos projetos de jovens designers, do esboço até a fase de protótipo, reuniu 13 novos móveis – em sua maioria cadeiras e mesas, mas também estantes e luminárias -, que foram apresentados pela oitava vez consecutiva na concorrida Zona Tortona, em abril, em Milão.

Entre os destaques, a estante de madeira de Itamar Burstein, que, lançando mão de um elemento único, se prolonga indefinidamente pelo espaço, e ainda a base universal de Philippe Nigro, que, a partir de mecanismos simples, propõe uma estrutura de sustentação flexível, capaz de funcionar em tampos de mesa de diferentes comprimentos e espessuras.

Por fim, o terceiro programa, o Partnership Project coloca em evidência soluções tecnológicas inovadoras. Desenvolvido por François Azambourg em parceria com Frédéric Morand, da indústria francesa DCS, o projeto selecionado apresentou uma alternativa sustentável ao uso de painéis de madeira na indústria do móvel.

Para além de seu potencial promocional, o mecanismo de funcionamento do VIA oferece aos produtores acesso direto aos profissionais que vão desenhar os objetos do futuro. E a estes, muitas vezes, um primeiro contato com a realidade produtiva. Um diferencial digno de nota, dentro de um programa de incentivo que por sua eficácia merece ser observado de perto. Mais ainda, em ano de França no Brasil.

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