14/11/2008

Casa nova até dezembro

Fonte: Jornal da Tarde

A Caixa ainda tem R$ 7 bi para emprestar até o final de dezembro. Não perca tempo

Seu plano é comprar um imóvel ainda neste ano e se dar um “presente” neste Natal? Se pretende financiar, ainda há dinheiro disponível no mercado. A Caixa Econômica Federal já liberou empréstimos de R$ 16,5 bilhões para a casa própria até o início de outubro, e tem mais R$ 7 bilhões para aplicar até o fim de dezembro (44% a mais do que em 2007). Para o ano que vem, a perspectiva é ainda melhor, com expectativa de aumento de 25% (R$ 27 bilhões).

Atenção, porém, para os juros. Muitos bancos, como Bradesco, Itaú e Unibanco, preocupados com a crise mundial, aumentaram suas taxas, mas outros, como a Caixa, a Nossa Caixa e o Banco do Brasil, ainda mantêm seus índices.

Segundo o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, há dois cenários no caso da habitação. “Quem já escolheu o imóvel e está na iminência de fechar negócio e pegar financiamento deve se apressar para conseguir as boas taxas que ainda restaram”, explica.

Para quem não tem pressa, o ideal é esperar pelo menos até o início do ano, quando a situação do mercado – instável por conta da crise financeira mundial – deve ficar mais clara e pode, até, ocorrer um recuo nessas instituições que elevaram seus juros.

“Se usarmos como exemplo um financiamento de R$ 100 mil em 10 anos, apenas um ponto percentual a mais nos juros vai significar um gasto de 10% maior no total, ou R$ 10 mil”, diz Oliveira.

Mas o especialista considerou o aumento inadequado. “O custo de captação dos bancos para a moradia não mudaram. O FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) continua rendendo TR mais 3% ao ano e a poupança, cerca de 6% anuais.”

Segundo a Caixa, a captação da instituição em poupança cresceu pelo 28° mês consecutivo, fechando setembro com captação líquida de R$ 8,5 bilhões.

O presidente do Secovi (Sindicato da Habitação), João Crestana, acredita que a situação do setor imobiliário brasileiro é muito diferente e mais confortável do que a americana. “Ao contrário dos Estados Unidos, temos pouco crédito e uma demanda enorme: faltam 8 milhões de moradias no País.”

Ele recomenda que o interessado comprar seu imóvel não haja por impulso. “Estude bem o banco que dá a melhor taxa, prazos e agilidade. Os oportunistas, que aumentaram seus juros, vão perder clientes, fidelização e talvez voltem atrás.”

Crestana acredita que muitas pessoas que hoje fazem investimentos de risco podem migrar para os imóveis. “O mercado imobiliário pode ser um porto seguro para quem não tem pressa, já que há o problema da liquidez.”

O presidente do Conselho Regional de Creci-SP (Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), José Augusto Viana Neto, não acredita que a crise afetará seriamente o mercado imobiliário brasileiro. “Só se houver um aumento no desemprego muito acentuado. Vale lembrar que o governo teve um recorde de arrecadação em setembro”, disse. Viana se declarou favorável a que a União auxilie a produção de moradia.

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