10/06/2007

Casa própria a partir de R$ 60 mil

Fonte: O Estado de S. Paulo

Construtoras começam a lançar empreendimentos econômicos para atender famílias de rendas média e baixa

Niels Andreas/AEZap o especialista em imóveisNegócio – Agente financeiro Vitor Lemos ofereceu R$16 mil como entrada e parcelou o restante

Ante a tanta oferta de crédito imobiliário, que torna o sonho da casa própria mais acessível às famílias de faixas de renda mais baixa, construtoras e incorporadoras começam a responder ao mercado oferecendo unidades de valor menor. São os chamados lançamentos econômicos.

Até o ano passado, os empreendimentos de alto padrão dominavam o mercado. Mas nos primeiros meses deste ano, o cenário começou a mudar. As unidades de dois dormitórios, por exemplo, já aparecem em maior número do que as de alto padrão: 3.489 de dois quartos, contra 1.776 de quatro quartos, na cidade de São Paulo, entre janeiro e abril, conforme dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp).

Algumas incorporadoras estão realizando parcerias, fusões e aquisições para se especializar nesse nicho de mercado. É o caso da Cyrela Brazil Realty que realizou uma joint venture com a Plano&Plano e lançou a marca Living.

A Gafisa também se uniu à Odebrecht para construir imóveis voltados a famílias de até sete salários mínimos. A empresa ainda criou a empresa Fit Residencial para atuar no mercado de classe média e baixa renda. O chamariz das vendas será o financiamento. Para isso, firmou parceria com a Caixa Econômica Federal que vai garantir crédito para 6 mil unidades.

O primeiro lançamento da empresa foi o Fit Jaçanã, na zona norte, com 224 unidades de dois dormitórios. O preço mínimo é R$ 90,6 mil. O volume de negócios fechado nesse empreendimento por meio de crédito representa 95% do total.

A Rodobens Negócios Imobiliários lançou no ano passado, a marca Terra Nova. Os empreendimentos lançados pelo selo têm valor de venda entre R$ 50 mil e R$120 mil, com área entre 45 e 90 metros quadrados. Grande parte das unidades é de casas térreas. “”Este tipo de empreendimento atende a um enorme segmento da população que, até então, não tinha acesso a um tipo de moradia como os condomínios fechados, cercados de infra-estrutura, segurança, lazer e paisagismo, típicas de projetos de alto padrão e maior custo de aquisição””, afirma o diretor de Relações com Investidores, Orlando Viscardi. O público é de famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos.

Até agora, foram nove projetos lançados neste segmento desde 1991 pela Rodobens, sendo dois pela marca Terra Nova. Este ano, haverá mais lançamentos similares. Estão previstos 12 novos projetos da marca, totalizando quase 4 mil unidades. Dos investimentos totais do ano, 95% devem ser da nova marca. A companhia divulgou que a sua meta de lançamentos para 2007 representa um crescimento de 172% no valor geral de vendas e 277% no número de unidades, em relação ao ano passado.

Aposta

A Rossi Residencial ampliou sua linha de produtos por conta do grande potencial de crescimento que o segmento econômico oferece, segundo afirma o gerente de Marketing Institucional da Rossi Residencial, Rafael Rossi. Empreendimentos menores foram lançados em mais de dez cidades, com unidades de dois a três dormitórios, e preços entre R$ 60 mil e R$ 130 mil. “”Pretendemos ampliar esta atuação ainda mais daqui para frente.”” As vendas a crédito representam 98% das negociações da Rossi.

Comprador troca aluguel pela prestação

O agente financeiro Victor Alex Lemos, de 29 anos, está eufórico. Este mês vai sair da casa alugada na Vila Matilde, zona leste, para um apartamento novo, de dois dormitórios, em Pirituba, zona oeste. O imóvel levantado pela construtora Mudar custou R$ 60 mil. Lemos ofereceu R$ 16 mil como entrada e financiou o restante pela Caixa Econômica Federal. “”Tive a proposta aprovada pelo banco e a construtora deu suporte.”” A prestação de R$ 400 vai ficar R$ 100 mais cara que o aluguel que paga. Mas para ele compensa. “”É quase o equivalente””, diz. Ele já havia tentado financiar antes, mas não conseguiu por causa da renda.

 

 

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