24/10/2008

Casa própria: cautela, mesmo com as novas regras

Fonte: Jornal da Tarde

Quem tem plano de comprar um imóvel deve esperar, aconselham especialistas, já que os juros estão elevados

Apesar das medidas para o setor de habitação anunciadas na quarta-feira pelo governo, especialistas acreditam que quem tem plano de comprar um imóvel deve esperar.

A Medida Provisória 433 criou mecanismos para garantir recursos ao setor de construção civil ao permitir que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal comprem ações de empresas desse segmento bem como de bancos em dificuldades.

Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores, diz que a medida é preventiva e deve ajudar a tranqüilizar o mercado. Ele ressalta, porém, que os consumidores devem esperar antes de negociar agora, já que os juros estão elevados.

No início do mês algumas instituições financeiras aumentaram as taxas do crédito imobiliário. O Bradesco elevou de 9% para 10,5% a taxa anual de juros para operações com recursos livres (sem dinheiro do FGTS ou da poupança) de até R$ 120 mil. O Itaú aumentou seu teto de 9%para 12% ao ano e o Unibanco decidiu subir o seu limite de11% para 12% ao ano.

Pessoa acredita que a medida pode ajudar principalmente os empreendimentos que já estão em curso e, se necessário, poderão contar com a nova linha de crédito para que as obras não sofram interrupções.

O economista só recomenda a compra caso o consumidor disponha do dinheiro à vista e esteja diante de um projeto inadiável ou de uma excelente pechincha.

Na opinião de Ricardo Rocha, professor de finanças do Ibmec São Paulo, a nova MP não vai modificar em nada a vida dos consumidores. Rocha recomenda que quem tem dinheiro para a entrada mantenha os recursos aplicados, de preferência em renda fixa. “Neste momento não vale à pena trocar uma possibilidade de liquidez por um ativo, principalmente um imóvel, que exige planejamento e recursos de longo prazo”, sentencia.

Ele observa ainda que os juros estão altos, o que torna desaconselhável mesmo o financiamento de parte do bem. O professor acredita que a medida foi anunciada pelo governo mais como uma forma de garantir ao mercado que a situação está sob controle e que não há motivo para crise de confiança.

João Crestana, diretor do Secovi-SP, diz que a medida não irá ajudar o setor. De acordo com o dirigente, seria melhor se o governo tivesse criado linhas de crédito que permitissem, entre outras operações a antecipação de recursos por meio do desconto de duplicatas.

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