29/08/2007

Casa própria em 30 anos

Fonte: Jornal da Tarde

Caixa anuncia ampliação do prazo, recorde no mercado nacional, e redução de juros para imóvel até R$ 200 mil

Niels Andreas/AEZap o especialista em imóveisInteressado em comprar imóvel tem uma nova opção de financiamento

 

 

 

 

 

 

 

 

A partir de setembro, os consumidores poderão financiar a casa própria em até 30 anos na Caixa Econômica Federal – hoje, o prazo máximo permitido pelo banco para quitar o débito é de 20 anos. A novidade foi anunciada ontem pela instituição financeira, que também decidiu baixar as taxas de juros e de administração das operações. Porém, especialistas orientam as pessoas a avaliar esse novo produto com cautela, pois embora a prestação mensal fique mais baixa, o custo final do imóvel pode encarecer quase 40%, em alguns casos.

Segundo a Caixa, o aumento do prazo do financiamento é uma forma de adequar os produtos habitacionais do banco às mudanças do cenário econômico e também à redução dos juros básicos da economia. As alterações lançadas ontem em Brasília valerão para os imóveis financiados pela empresa a partir do mês que vem. Para solicitar o financiamento na Caixa, não é necessário ser correntista do banco, mas quem abre conta e permite débito automático da prestação, por exemplo, paga juros menore.

Além da ampliação do prazo para 30 anos,o banco também criou uma faixa intermediária para financiar casas e apartamentos cujo valor de avaliação varia entre R$ 130 mil a R$ 200 mil. Neste caso, a taxa de juros praticada efetivamente pela instituição será de11% ao ano, para quem contratar produtos com pagamento mediante carnê, ou 10,5% ao ano, no caso de operações baseadas no débito em conta ou em folha de pagamento – esse porcentual deve ainda ser acrescido de Taxa Referencial (TR), que gira em torno de 1,6%, segundo o matemático financeiro José Dutra Sobrinho.

Antes dessa mudança, quem comprasse casas e apartamentos nestes valores pagava um porcentual equivalente ao dos imóveis de até R$ 350 mil: de 11,5% a 13% ao ano, isso levando em consideração a taxa efetiva do banco.

A ampliação do prazo é vista de forma positiva pelo vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira. Segundo ele, o aumento do tempo para acertar a dívida vai possibilitar que mais pessoas comprem a casa própria financiada com recursos da Caixa. “”É uma boa medida que acompanha o mercado imobiliário de outros países, como nos Estados Unidos, onde há prazos mais amplos””, argumentou. Contudo, ele faz uma ressalva importante: com o prazo maior, o valor das prestações mensais será diluído, fazendo o consumidor gastar menos mensalmente. Mas ao fim da operação, o custo do imóvel acaba sendo bem mais alto .

O matemático financeiro José Dutra Sobrinho afirma que a ampliação do prazo é uma medida “”temerária””, pois, com o passar dos anos, o mercado econômico brasileiro poderá sofrer um colapso semelhante ao que ocorreu recentemente nos Estados Unidos. “”Os bancos americanos concederam financiamentos com várias facilidades, como carência para o início do pagamento, juros baixos e prazos longos, mas, com o tempo, a liberação de dinheiro baseada em operações de risco acabou comprometendo a economia mundial””, explicou. “”No Brasil, pode haver um colapso semelhante, pois muitos outros bancos devem seguir o exemplo da Caixa e aumentar os prazos. Isso, com o passar dos anos, pode gerar muitos problemas””, avaliou Dutra.

Ele também afirma que a expansão do tempo para quitar o empréstimo traz uma sensação ilusória aos consumidores. Pelos cálculos do matemático financeiro, uma pessoa que financiar R$ 150 mil, com juros a 11% e em 30 anos pagará prestações de R$ 1.370,09 ao mês: 8,4% menos do que o mutuário que adquirir a casa própria em 20 anos.

Entretanto, o custo final do imóvel ficará 37,4% mais caro. “”O consumidor deve fazer os cálculos para saber se o prazo maior vale mesmo a pena””, concluiu. Ainda assim, essa ampliação pode ser vantajosa para os consumidores com renda mais modesta, pois poderão pagar parcelas mensais mais baixas.

 

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