02/04/2007

Casa própria sem precisar de holerite

Fonte: Jornal da Tarde

Com apresentação de extratos bancários, instituições de crédito liberam financiamento para autônomos que não têm comprovante de renda tradicional

Niels Andreas/AEZap o especialista em imóveisComprar um imóvel está mais fácil

Por conta do cenário econômico favorável, está cada vez mais fácil comprar um imóvel residencial por meio de financiamento. Hoje, para reduzir a burocracia, os bancos deixaram de exigir que o interessado apresente holerites para solicitar o crédito imobiliário. Isso facilitou o processo para que autônomos e profissionais liberais possam adquirir a casa própria – as instituições financeiras permitem que eles comprovem rendimentos de outras formas, sobretudo com a apresentação de extratos bancários e comprovantes da declaração de Imposto de Renda.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de São Paulo, José Augusto Viana Neto, os bancos realmente reduziram a burocracia ultimamente – porém, ainda esbarram em algumas obrigações da legislação. De qualquer forma, a liberação do dinheiro do financiamento ficou mais rápida.

Hoje, a maior parte das instituições de crédito só exige a entrega de holerites para comprovar a renda aos trabalhadores formais. Os autônomos só precisam apresentar extratos de bancos (para verificar a movimentação financeira) e declarações do IR para solicitar o crédito. Varia, no entanto, a quantidade de papéis solicitados. O Itaú, por exemplo, pede que os interessados levem apenas a última declaração do imposto (com todas as folhas) e extratos dos últimos três meses. Já no Santander Banespa, deve-se apresentar as últimas duas declarações e os extratos de seis meses.

Segundo a reportagem apurou, o Banco do Brasil é o mais burocrático para liberar o financiamento imobiliário para quem não possui holerites para comprovar a renda. De acordo com a empresa, é preciso apresentar as três últimas Declarações de Comprovação de Rendimentos (Decore). Esses documentos, que podem ser obtidos com um contador, servem justamente para apontar o lucro do microempresário ou profissional liberal.

No HSBC, o candidato a mutuário é obrigado a mostrar, além dos últimos três extratos, algum documento que comprove a atividade de autônomo. Pode ser o alvará de funcionamento da empresa, caso seja um negócio constituído, ou um contrato de prestação de serviços.

Para o vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, a desburocratização do setor é uma forma encontrada pelos bancos para atrair cada vez mais clientes – aproveitando, claro, o cenário econômico favorecido pelas medidas de incentivo à habitação lançadas pelo governo federal. “Para o banco interessa flexibilizar a parte burocrática, até onde a lei permite, para atrair consumidores. Muitos assinam contratos de financiamento de 20 anos, e ficam fidelizados durante todo esse tempo.”

Um problema que ainda incomoda os interessados em comprar a casa própria é a demora para liberar o financiamento. O Itaú é o mais rápido encontrado pelo JT: após a avaliação da proposta de crédito, o cliente espera apenas 20 dias úteis para receber o dinheiro. No Real, entretanto, o prazo é mais longo: pode chegar a 60 dias.

O Banco do Brasil, que começou a trabalhar com financiamento habitacional recentemente, está adequando os processos, segundo informou. Por conta disso, o mutuário que tem o crédito aprovado pode esperar até três meses para conseguir os recursos.

A meta dos bancos, segundo o Creci, é reduzir esse tempo para no máximo 15 dias até o fim deste ano.

 

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