15/10/2006

Casas camaleônicas

Fonte: O Globo

Moradia contemporânea valoriza a brasilidade. E o produto natural

Uma das mudanças marcantes percebidas na pesquisa deste ano é a valorização da arte nacional. Se, no passado recente, o brasileiro costumava preferir os artigos importados, hoje, arte, produtos de decoração e o trabalho dos nossos artesãos têm espaço garantido dentro de casa:

— O minimalismo está definitivamente em baixa. Além disso, há uma busca pelo conforto e pelas peças assinadas, que, aliás, passam a conviver muito bem com o produto nacional. É uma forma de resgatar as raízes e a própria identidade — diz Ângelo Derenze, editor da “Casa Cláudia”.

Mudanças podem decretar o fim das salas de visita

Para a diretora do Museu da Casa Brasileira, de São Paulo, Adélia Borges, esse movimento começou a ganhar força nos últimos cinco anos e atualmente está em seu auge:

— Há um desejo pelas expressões genuínas, pelo que é ecologicamente correto e por produtos que utilizem a matéria-prima nacional.

As casas dos casais homossexuais, especificamente, foram analisadas na pesquisa. O que se constatou, continua Derenze, é que esse núcleo preza a individualidade mais do que os ciclos familiares tradicionais. O estudo mostra ainda que os homossexuais ousam mais na combinação de móveis e objetos de decoração:

— Na maioria dos casos, os casais gays masculinos preferem dormir em quartos separados. Na falta de espaço, optam por camas separadas. É um público com maior poder de consumo, e a indústria, de maneira geral, precisa atentar para essas conclusões.

Marcelo Tramontano, do Nomads, por sua vez, diz que a família-canguru não existe em todas as classes sociais:

— Os filhos ficam em casa quando não têm condições de sair ou quando há excessivo conforto, do qual não abrem mão. O brasileiro médio busca o próprio espaço.

Já a tendência de derrubar paredes e integrar cômodos, mostrada na pesquisa, aponta para o fim das salas de visitas. Essas áreas, que antes eram reservadas a reuniões mais formais, perdem a função.

— As pessoas passam a conviver livremente, em todos os ambientes. Com isso, a divisão de salas íntimas e de visitas deixa de fazer sentido — assinala Derenze.

Cresce o interesse por projetos de iluminação

Já a gerente comercial da La Lampe, Alessandra Friedmann, destaca a importância que o brasileiro passou a dar a projetos de iluminação nos últimos 20 anos:

— Além desse tipo de serviço ter ficado bem mais barato nas últimas duas décadas, hoje é preciso ter iluminações específicas, dentro de um mesmo ambiente, para atender a essas demandas variadas.

O arquiteto Ivan Rezende também aponta algumas modificações que ocorreram recentemente nas casas. Ele cita o grande interesse do brasileiro por adegas climatizadas, por exemplo — tanto na cozinha quanto na sala. Além das alterações que as estantes estão sofrendo por conta da evolução tecnológica:

— As TVs ficaram mais finas e os aparelhos de som, menores. As estantes precisam acompanhar essas mudanças.

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