12/02/2010

Cimenteira de Portugal vira “noiva” disputada por gigantes no Brasil

Fonte: O Globo

Um dia depois de surpreender o mercado com a compra de 22,17% da Cimpor, a Camargo Corrêa fechou ontem a aquisição de mais 6,5% das ações da companhia portuguesa, 11ª maior produtora de cimento do mundo e que, nas últimas semanas, passou a ser cortejada também por CSN e Votorantim. A Camargo Corrêa pagou cerca de 300 milhões ao grupo espanhol Bipadosa, equivalentes a 6,50 por ação. Foi o mesmo valor desembolsado antes pela participação de 22,17% do empresário Teixeira Duarte – operação que somou cerca de 1 bilhão.

Como o acordo fechado na última quarta-feira dá ainda a opção de compra de mais 3% dos papéis da Cimpor em poder da família de Duarte, a participação da Camargo Corrêa deve chegar perto de 32%. Pela legislação portuguesa, a partir do percentual de 33% o grupo brasileiro teria de fazer uma oferta pública de aquisições de ações (OPA), algo que a Camargo Corrêa não deseja.

A compra da Cimpor é vista como estratégica por sua presença nos principais mercados emergentes, como China e Índia. Além disso, no Brasil, o mercado está aquecido por causa de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Minha Casa, Minha Vida e da Copa do Mundo.

O primeiro lance nessa disputa foi dado pela CSN, que em dezembro apresentou uma OPA pelo controle da companhia portuguesa. Mas a oferta (de 5,75 por ação) não foi bem recebida pelo Conselho de Administração da Cimpor, que recomendou a recusa.

CSN PODE APRESENTAR NOVA OFERTA PELA CIMPOR – A CSN entrou no mercado de cimentos em 2009, com uma fábrica em Volta Redonda, e a aquisição da Cimpor aceleraria seu projeto de expansão. Mas os planos da siderúrgica foram atropelados, primeiro, pela Votorantim, que levou uma fatia de 17,3% em poder da Lafarge. A Votorantim também tem acordo de acionistas com o banco português Caixa Geral de Depósitos, dono de outros 9,6%. O golpe final veio com a Camargo Corrêa. Juntas, as duas ficaram com quase 50% da Cimpor.

Com o aumento de participação da Camargo Corrêa, executivos que acompanham as negociações disseram que a Votorantim passou a estudar a venda dos seus 17,3% – o que a empresa não confirma. Já o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, está em Lisboa negociando com os sócios da Cimpor. Termina hoje o prazo para que ele mantenha ou refaça sua oferta. A expectativa do mercado é que Steinbruch aumente o preço para um patamar próximo dos 6,50 por ação apresentados pela Camargo Corrêa. As conversas também têm a participação do diretor financeiro da CSN, Paulo Penido. O conselho da Cimpor tem até a próxima quarta-feira para se decidir.

Em entrevista ao Globo pouco antes da confirmação da compra das ações do grupo Bipadosa, o presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa, Vitor Hallack, confirmou que o objetivo é a fusão de seus ativos de cimento com a Cimpor. Segundo ele, essa foi a proposta inicial apresentada, mas recusada pela CMVM (a Comissão de Valores Mobiliários de Portugal).

“Nossa vontade, desde o início, era fazer a fusão dos ativos. Significa dizer a incorporação de 100% dos nossos ativos na Cimpor e, eventualmente, fazer mais um aporte de capital. Poderíamos ter algo próximo de 50% (das ações) e reduzir abaixo de 50%, se necessário”, disse Hallack.

VOTORANTIM NÃO COMENTA SE TAMBÉM FICARÁ NO CONTROLE – Hallack estava em Londres – segundo ele, tratando de outros temas – e viajaria de novo a Lisboa, para se reunir com Carlos Pires Oliveira Dias, um dos principais acionistas da Camargo Corrêa. Perguntado sobre a presença da Votorantim no bloco de controle, ele respondeu que “não nos cabe dizer quem estará ou não na empresa”.

 

 

 

 

 

 

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