24/11/2008

Cimento ainda é o vilão

Fonte: Jornal da Tarde

Apesar da desaceleração dos preços em geral, o produto ainda registra tendência de alta

Quem vai começar uma obra ou uma reforma o fará em um período considerado de pico do aumento de preços, o que pode atrapalhar financeiramente o planejamento da obra.

Apesar do tendência de estabilidade, os preços ainda estão sofrendo pequenos reajustes. O cimento é um exemplo dos que ainda resistem aos efeitos da crise internacional, pois, neste mês, ainda registra alta de 3,97%, segundo a FGV. O acumulado deste ano é de 20,42% de reajuste.

Para os especialistas, se o consumidor quer começar uma construção, ele deve redobrar a atenção quanto às oscilações da economia, pois muitos produtos são cotados em preço internacional, e ainda acompanham a demanda para os artigos que dependem apenas do mercado interno.

“O cimento é um caso interessante porque ele precisa de investimento de produção que demora para dar retorno. O aço é a mesma coisa. Acho que pode haver até uma redução de preço se continuar desse modo, pois os custos estão muito elevados. No entanto, se os governos investirem em obras públicas mais intensamente, a demanda vai pressionar os preços novamente”, afirma Roberto Kochen, diretor do Departamento de Engenharia Civil do Instituto de Engenharia.

Apesar do otimismo quanto aos preços, Kochen acredita que as pessoas que vão começar uma obra podem esperar mais um pouco até o cenário da construção civil frente à crise ficar mais claro. “Acho que nos próximos dois meses saberemos se as tendências estão se concretizando”, diz.

Para o diretor, a situação do dólar em queda nos próximos meses também poderia contribuir com a queda de preços. “O que tinha de subir já subiu”, avalia Kochen.

Já, para quem não quer esperar, a dica é aproveitar o fim de ano para fazer bons negócios e buscar promoções, já que a demanda é menor por produtos básicos da construção. “Quem vai com o dinheiro na mão consegue bons descontos, ainda mais se vai comprar em volume”, comenta Bernardo Corrêa Neto, gerente do Grupo Pini Engenharia.

O diretor da FGV, Salomão Quadros, acredita que o momento de incerteza também pode favorecer o consumidor que tem dinheiro guardado para a obra. Para ele, as lojas não vão deixar de perder uma compra à vista se não derem bons descontos. “Em períodos de crise, o poder de barganha de quem tem dinheiro é muito maior”, diz.

Outra recomendação do gerente da empresa de engenharia é realizar pesquisa de preço. Segundo Corrêa Neto, a variação chega a 30% no valor de um produto de uma loja para outra.

Kochen também explica que a diferença de preço, tanto no atacado quanto no varejo, também depende de localização, pois para produtos como areia e pedra, por exemplo, os fornecedores variam de uma cidade para outra.

PLANEJAMENTO – Para a ABCP (Associação Brasileira do Cimento Portland), a economia nas construções poderiam ser feitas se houvesse um melhor planejamento para obra, principalmente projetos bem elaborados para evitar desperdícios.

Uma pesquisa divulgada pela entidade mostra que as obras feitas sem o acompanhamento profissional e sem projetos consomem pelo menos 30% a mais de material do que o necessário. “Estamos em um bom momento para se mudar a cultura da construção no País. O sistema tradicional ainda provoca muito desperdício”, comenta Mario William Esper, gerente de Relações Institucionais da ABCP.

Para Esper, entre as mudanças necessárias está a adoção de projetos para qualquer tipo de obra. “Há muitos casos em que a construção ganha pilastras, paredes e outras estruturas desnecessárias se houvesse o acompanhamento profissional”, diz.

Outra medida seria buscar produtos de melhor qualidade. No caso da construção de uma parede, se os blocos de concreto estiverem na medida padrão (14 cm x 19 cm x 39 cm), a probabilidade de usar mais massa para corrigir as irregularidades seria menor. Se o quarto também for construído conforme as medidas da peça, também evitará os arremates com blocos cortados para preencher os cantos.

“Existe a padronização dos produtos de construção e artigos prontos, como parte da tubulação de PVC pronta para a instalação e blocos furados para o encaixe de canos e parte elétrica. Estão disponíveis nas lojas, mas não há o hábito do brasileiro de se preocupar com o desperdício na construção e nem em seguir projetos”, afirma Esper.

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