22/10/2007

Cimento eleva custo da alvenaria

Fonte: Jornal da Tarde

Fase estrutural da obra fica mais cara por conta do aumento de preço do insumo da construção

Construir ou reformar a casa está ficando cada vez mais caro em São Paulo, pelo menos no que diz respeito à parte estrutural do imóvel. Os sucessivos aumentos dos preços dos materiais básicos de construção, puxados principalmente pela alta do cimento, têm feito com que os consumidores desembolsem mais dinheiro nas fases de alvenaria e superestrutura (pilar e vigas), que, juntas, correspondem de 20% a 25% o custo total de uma obra residencial.

Somente no mês passado, segundo dados da pesquisa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), os aumentos do preço do cimento (5,22%), dos blocos cerâmicos (3,68%) e de concreto (2,35%) e da pedra britada (1,80%), em relação a agosto, ficaram acima da inflação do período (1,29%). De janeiro a setembro, contudo, apenas o cimento e a pedra acumularam alta superior a inflação – 7,48% e 4,61% -, respectivamente, ante um IGP-M de 4,07%.

Os lojistas do ramo comprovam que a combinação areia, pedra e cimento foi a que mais subiu nesses últimos meses. “Já faz uns três meses que esses preços vêm subindo. A indústria aumentou e por isso estamos repassando para o consumidor”, disse um gerente da loja de materiais de construção Castor Center, Zona Leste d a Capital. “O material básico é o que mais sobe, principalmente o cimento”, confirma um funcionário de um outro depósito.

Segundo o comerciante, um saco de cimento que há quatro meses era vendido por R$ 12 hoje é ofertado por R$ 16,85. Já o preço da areia lavada tipo médio saltou de R$ 44/m³ para R$ 55/m³ em seis meses. Numa loja da Zona Norte, o atendente disse que o preço do cimento chegou a subir 25% em apenas dois meses,

As grandes redes também repassaram para o consumidor a alta dos insumos. Porém, de acordo com o diretor de marketing da Dicico, Carlos Roberto Corazzin, o aumento dos preços deve-se a retomada do setor da construção civil após alguns anos de retração. “O mercado ficou ‘represado’ durante muito tempo. Há dois anos ocorre recuperação, um reposicionamento de preço”, explica.

Valorização

7,48% de aumento
Este foi o porcentual de alta do cimento registrado pelo Sinduscon entre janeiro e setembro deste ano

R$ 12,00 o saco
Este era o preço cobrado por 50 kg de cimento há quatro meses em um depósito da Zona Leste de São Paulo

R$ 16,85 50 kg
Preço do produto cobrado hoje pela mesma loja da cidade

Insumo deve ter queda em dois meses

Mesmo admitindo que existe um “pequeno gargalo” nas vendas de sacos de cimento no País, o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz, afirma que as sucessivas altas de preço do insumo são uma recuperação no mercado depois de alguns anos de retração.

Conz conta que os aumentos foram provocados pelo crescimento da demanda, que chega a 12% nos últimos 12 meses . “O cimento ficou mais caro. Existe um pequeno gargalo no mercado fruto do aumento de consumo. Isso cria algumas distorções de preço mas que são pontuais”, diz o presidente da Anamaco.

Ele lembra que em 2003 o saco do cimento chegava a custar R$ 18, enquanto hoje é vendido entre R$ 13 e R$ 16. A tendência, porém, afirma Conz, é de que os preços sigam uma trajetória de queda daqui a dois meses. “A tendência é recuar nos próximos 60 dias”, prevê.

Por conta disso, ele aconselha aqueles que pretendem construir ou reformar adiar as fases de obra que dependem do material para economizarem com preços menores. “Se puder ter outra frente que não seja a do cimento seria melhor”. Contudo, é em outubro que as vendas de cimento mais crescem, já que as pessoas buscam reformar antes do período de chuvas.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.