14/08/2008

Ciranda de estilos

Fonte: O Estado de S. Paulo

Fabrizio Rollo demostra como decora com sofisticação terraços e quintais

SÃO PAULO – Misturar é algo a que Fabrizio Rollo parece ter se acostumado faz tempo. Ele não revela a idade, mas sabe-se que tem menos de 40 anos. Imagético por natureza, decorava a casa dos pais desde os cinco anos. Suas leituras não são romances, mas “coisas úteis” e biografias. A de Yves Saint-Laurent é um exemplo. Ele conta que, como o estilista francês, se escondia no banheiro do colégio quando adolescente.

Hoje, no grand monde por que transita, é querido de alguns e de outros nem tanto – como qualquer mortal. “Não me coloco acima ou abaixo de ninguém, me coloco como Fabrizio Rollo.” O profissional considera fundamental ter auto-estima. “O que incomoda as pessoas é perceber que elas não têm confiança.” Mas ele mesmo não guarda inseguranças? “Tenho, sim, mas a falsa modéstia é ridícula.” Sincero, não?

Fabrizio, quem diria, sonha atuar no cinema. Enquanto tal desejo não se cumpre, segue a vida criando. Na casa da consultora de arte Isabella Prata, construção arquitetada por Paulo Mendes da Rocha, o editor montou dois ambientes especialmente para o Casa&. O primeiro é um terraço fechado por cortinas brancas, que ganhou ares de lounge com uma exótica ciranda de assentos.

Zeca Wittner/AEZap o especialista em imóveisO terraço, pouco usado, é agora um lounge com uma roda de assentos

O tapete de juta indiana emoldurado por kilins antigos forma um patchwork que serve de base para outras citações étnicas, design brasileiro e elementos trazidos do sítio da proprietária. Aqui e ali, tecidos peruanos, bolivianos e ponchos enfatizam o aspecto tribal, assim como os pufes marroquinos, que fazem as vezes de mesa de centro. Entre uma ligação e outra no Blackberry, ele se mostra rápido. Um, dois, três – e lá está a ambientação pronta.

Formado arquiteto, Fabrizio trabalha há 15 anos na revista Casa Vogue, de onde se afastou durante três anos para morar na Itália. Antes da viagem era Fabricio, Fabrizio voltou. Ainda este ano, quer editar um livro-síntese de sua trajetória. “Desde sempre, registro tudo o que posso”, conta o moço. Mas, afinal, como conceituar um trabalho, que, camaleônico, pode assumir diferentes facetas? Talvez seja adequado aproximá-lo do que o próprio identifica como decorador – “aquele que reveste o ambiente e cria fantasia”. Sim, porque, para ele, arquiteto constrói e designer de interior faz layout.

Outro exemplo de sua criatividade está no espaço junto do quintal, em que usou cadeiras Paulistano, de Mendes da Rocha, vestidas de verde, para tipificar brasilidade. Há galhos de jaqueira, um quadro com a inscrição “Ordem e Progresso”, a ânfora com o brasão da República e até um banco de obra. “Não tenho compromisso só com o alto design, mas sim com a cara de uma casa de verdade”, diz.

Ele adora usar referências do passado, haja vista seu hall de entrada na Casa Cor – um passeio pelo design do século 20 até hoje. Ainda que as use, procura emprestar-lhes contemporaneidade. Goste-se ou não, ninguém pode negar o talento dele em inventar e antecipar tendências – “um estilo de criar estilos”. Parece até que é isso que importa. “Se estou na frente, os outros que venham atrás”, diz. E cai na gargalhada.

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