13/04/2009

City Lapa: um sonho de consumo

Fonte: Jornal da Tarde

É possível respirar tranquilidade em meio a espigões em plena cidade de São Paulo

Com o desenvolvimento imobiliário em seu entorno, principalmente na região da Vila Leopoldina, a City Lapa, bairro residencial criado pela Companhia City e que abrange o Alto da Lapa e Bela Aliança, permite respirar tranquilidade em meio a espigões em plena cidade de São Paulo. Essa característica era mantida pela Lei de Zoneamento da cidade e a administração da companhia, que exige, no momento da escritura, que sejam respeitadas normas, como altura de edificações. O tombamento da região, aprovado na semana passada, cujo processo foi aberto em 1992, marca a consolidação do bairro (veja normas no quadro ao lado).

Segundo José Eduardo de Assis Lefèvre, presidente do Conpresp, órgão municipal que delibera sobre tombamento, a decisão passa responsabilidades da esfera do direito privado para o público. “O objetivo é reforçar esses recursos”, conta.

A área é delimitada por 24 vias, como as ruas João Tibiriçá e Guararapes. Algumas delas, na fronteira da região, como a Rua Pio XI e Nossa Senhora da Lapa, concentram escritórios e comércio varejista, mas a maioria são estritamente residenciais, arborizadas e com calçadas largas, contornadas por praças.

São 11 bairros tombados na cidade segundo dados do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH). Entre eles, o Jardim América e Pacaembu, também criados pela Companhia City.

“A qualidade dos loteamentos da City é um patrimônio da cidade”, diz a arquiteta e urbanista Silvana Zioni. “O tombamento mostra que a Lei de Zoneamento exige regulação mais forte frente à discussão do plano diretor da cidade, que torna o cenário instável, além do avanço de obras de infraestrutura, como o Complexo Anhanguera.”

A subprefeita da Lapa, Soninha Francine, conta que as condições das calçadas vão ter atenção especial. “Por ser uma região arborizada, raízes superficiais de árvores podem estragar o pavimento”, explica. A prefeitura deve investir na acessibilidade e circulação de bicicletas.

Ela lembra que nada muda para moradores, que podem promover modificações e até demolir imóveis. Mas, para isso, devem contatar a Subprefeitura. “É o mesmo procedimento. Qualquer reforma precisa de autorização, até poda de árvores. A Subprefeitura passa a consultar os órgãos especializados.”

Segundo Lefèvre, o projeto pode incluir mais quadras. “Algumas no limite da região, no lado oeste, apresentam situação dupla: eram regidas pelas regras, mas foram verticalizadas. Nelas, o tombamento deve se aplicar apenas ao traçado viário e à arborização.”

Ele diz que, com o tombamento em vigor, já podem ser aplicadas multas às infrações, que serão fiscalizadas, a menos que tenham sido feitas antes de 1992, sob a Lei de Zoneamento.

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