28/01/2007

Classe média no foco do mercado

Fonte: O Estado de S. Paulo

Ano de 2007 deve ser marcado pelo aumento de unidades lançadas nas faixas entre R$ 60 mil e R$ 200 mil

Monalisa Lins/AEZap o especialista em imóveisLiquidez – Crescimento das vendas ano passado foi de 17, 3,% segundo levantamento do Secovi

O ano de 2007 deve ser marcado por uma mudança do perfil do mercado imobiliário. Até 2006, predominaram os lançamentos de alto padrão – de R$ 350 mil a R$ 16 milhões -, mas agora a aposta é que os novos empreendimentos devam atender à classe média.

Produtos de dois dormitórios na faixa de R$ 60 a R$ 200 mil estão em falta no mercado. “A classe média é um segmento que foi mal atendido nos outros anos e tem oportunidade de recuperação”, afirma o diretor da Empresa Brasileira de Pesquisa de Patrimônio, Luiz Paulo Pompéia.

De acordo com o executivo, a principal razão para essa possível mudança de perfil é a vasta oferta de crédito, com diversas modalidades de linhas de financiamento. Além disso, a tendência é que a taxa de juros caia. “Já está caindo mas ainda está alta. Na minha opinião, vai cair mais. Acredito que vá chegar por volta de 7%”, prevê.

Diante deste cenário, Pompéia aconselha que os futuros mutuários aguardem por essas mudanças para fazer um melhor negócio.

Conforme o balanço parcial divulgado pela Embraesp, o número de lançamentos cresceu ao longo do ano de 2006 mas, em comparação ao ano anterior, o ritmo ainda foi baixo, em torno de 2%. “Ainda é pouco”, avalia.

Para Pompéia, uma das razões que inibiram a produção no ano passado foram as polêmicas em torno da Lei de Zoneamento. “É uma das travas. Houve um certo reflexo na redução de aprovações (de novos empreendimentos) e uma série de outras dúvidas que a lei criou e por isso deve ser revista.” Outra razão apontada é que as famílias ainda não recuperaram seu poder de compra.

Mesmo assim, o ritmo de crescimento deve acelerar. Ao longo do ano de 2006, o número de lançamentos cresceu a cada mês. Em dezembro, foi registrado um recorde. Ao todo, foram lançados 67 empreendimentos em São Paulo e 114 na Região Metropolitana.

Vendas

As vendas registraram alta expressiva em 2006. Segundo levantamento parcial – no período de janeiro a outubro – divulgado pelo Sindicato da Habitação (Secovi), 2006 teve a melhor performance dos últimos 12 anos.

O crescimento foi de 17,3%. De janeiro a outubro foram comercializadas 22.264 unidades, ante 18.980 no mesmo período de 2005. O valor total negociado foi de R$ 6,84 bilhões – 13,8% superior a 2005. Segundo o Secovi, a projeção é de que os fechamentos dos resultados do ano cheguem próximos a 27.100 unidades vendidas, num total de R$ 8,25 bilhões negociados.

Outro indicador do desempenho é o Vendas sobre Oferta (VSO). O valor médio mensal registrado no ano passado foi de 11,4%. A projeção é que 2006 feche em 11,2%.

De acordo com o vice-presidente de Tecnologia e Relações de Mercado do Secovi-SP, Alberto Du Plessis, os principais fatos que marcaram as atividades do setor em 2006 foram redução ou isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para diversos insumos da construção civil, abertura de capital para o mercado de importantes empresas do setor, e as novas modalidades de crédito, principalmente, as de taxa fixa.

O segmentos de três e dois dormitórios ajudaram a alavancar as vendas. Unidades de quatro dormitórios com até 200 metros quadrados também tiveram grande liquidez.

 

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