31/03/2009

Com deflação, IGP-M tem a maior queda em 6 anos

Fonte: O Estado de S. Paulo

Índice negativo de 0,74% neste mês superou as projeções e é resultado do desaquecimento da economia global e do mercado doméstico

O desaquecimento da economia global e do mercado doméstico derrubou o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) neste mês. O indicador registrou em março deflação de 0,74%, ante alta de 0,26% em fevereiro. O resultado superou as projeções de mercado que oscilavam entre -0,48% e -0,23%, segundo a Agência Estado.

A deflação de março foi a maior verificada pelo indicador em quase seis anos. Só é superada pelo recuo de 1% ocorrido em junho de 2003. “Naquela época, a deflação ocorreu em razão da queda do câmbio. Agora, o motivo é a recessão mundial chegando ao País”, afirma o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Ele acredita que a saída do IGP-M do território negativo não será tão rápida. “Isso é bom para quem paga aluguel, que é reajustado pelo indicador, e importante para tirar a inércia inflacionária dos serviços.” Quadros prevê que o IGP-M acumulado em 12 meses encerre o primeiro semestre deste ano com alta inferior a 4%. Até março, o indicador acumula alta de 6,27% em 12 meses.

Tanto o Índice de Preços por Atacado (IPA), que responde por 60% do indicador, como o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que pesa 10% no IGP-M, tiveram deflação neste mês. No caso do INCC, o recuo foi de 0,17%, ante alta de 0,35% no mês passado. A deflação do INCC neste mês foi a primeira em quase 11 anos. Em abril de 1998, o indicador caiu 0,46%.

Apesar de o indicador ter um peso pequeno no IGP-M, o coordenador da FGV considera a deflação do INCC muito significativa como termômetro da atividade econômica. “O IPA é muito volátil, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) carrega muita inércia e o INCC reflete mais a realidade do mercado interno”, diz Quadros.

Tanto os materiais como os serviços que compõem o INCC tiveram deflação de -0,44% e de -0,16%, respectivamente, neste mês. Os condutores elétricos e os tubos e conexões de ferro e aço, por exemplo, caíram 6,25% e 2,76%, respectivamente. Segundo o coordenador da FGV, a marcha a ré nos preços da construção civil reflete a queda das commodities no mercado internacional e também o desaquecimento da demanda doméstica.

O IPA repete, segundo Quadros, o movimento do INCC com queda nas commodities e na demanda interna. Neste mês, o indicador caiu 1,24%, depois de ter subido 0,20% em fevereiro. Foi a maior deflação desde junho de 2003 (-1,67%).

Os produtos agropecuários, com deflação de 2,82%, contribuíram em cerca de 70% para a queda do IPA e os industriais, com recuo de 0,72%, responderam pelo restante. “Mas os preços dos produtos industriais caíram mais que o esperado e fizeram a diferença”, diz Quadros. Dos 20 setores da indústria de transformação pesquisados pela FGV, 14 tiveram variação negativa em março. A maior queda foi nos produtos siderúrgicos, que ficam 4,23% mais baratos no atacado este mês.

O único indicador que compõe o índice e não teve deflação foi o IPC, que variou 0,43%, ante 0,40% em fevereiro.

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