03/02/2010

Com juros em baixa, imóvel cresce e reaparece como opção de investimento

Fonte: O Globo online
Preços dos imóveis explodiram nos últimos anos (Foto: Divulgação)
Preços dos imóveis explodiram nos últimos anos (Foto: Divulgação)

A queda da taxa básica de juros, a Selic, que remunera os fundos DI e de renda fixa, para o atual patamar, de 8,75% ao ano, provocou um fenômeno no mercado imobiliário do Rio nos últimos meses. Sem alternativas de investimento de baixo risco e com rentabilidade elevada como no passado, os preços dos imóveis em toda a cidade explodiram. É o que mostra reportagem de Felipe Frisch publicada na edição desta segunda-feira do jornal O Globo.

Especialmente em bairros como Copacabana, onde os apartamentos de quarto e sala subiram 48,08% de janeiro do ano passado para hoje. Com isso, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi-Rio), saíram de uma média de R$ 171 mil para R$ 254 mil no bairro. Os de dois quartos típicos de compra para investimento – por serem mais fáceis de alugar -, que valiam R$ 284 mil em média, passaram a cerca de R$ 390 mil, uma alta de 21,28% de um ano para o outro. Na Tijuca, o apartamento de dois quartos teve valorização de 81,95% no mesmo período, tendo saído de R$ 113 mil para R$ 206 mil. O quarto-e-sala se valorizou menos, 28,94%, mas ainda uma rentabilidade superior à de muitas aplicações financeiras.

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Em especial as de renda fixa. Em 2009, ano que a Selic começou em 13,75% anuais, os fundos DI, que acompanham a taxa básica, tiveram rentabilidade de 10,21% sem descontar o Imposto de Renda (IR). Considerando um tributo de 20% (para quem investe por seis meses a um ano), a rentabilidade cairia para cerca de 8,17%, podendo ser bem menor, a depender da taxa de administração cobrada pelo fundo.

Algumas carteiras chegaram até a perder da poupança, com rentabilidade de 6,72% em 2009 e sem incidência de IR. Já as carteiras de renda fixa renderam 10,48%, ou 8,38% sem o IR de 20% e considerando baixos encargos, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Com a Selic a 8,75% ao ano, estes fundos devem passar a render cerca de 6% ao ano apenas.

O diretor de Locações da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Carlos Samuel de Oliveira Freitas, avalia que alguns bairros, como Botafogo e partes de Ipanema e Copacabana, foram especialmente beneficiados no último ano pela implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a ocupação de favelas pela Polícia Militar. A iniciativa nitidamente valorizou os imóveis. Em Botafogo, apartamentos de um quarto passaram a valer, em média, 29,08% mais.

Já o diretor de Desenvolvimento de Projetos da incorporadora NEP, Cyro Fidalgo, diz que “nitidamente houve um maior volume de compras do meio do ano passado para cá”, num movimento que começou com pessoas procurando nos imóveis um porto seguro em meio à crise financeira.

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