18/09/2008

Comércio de material de construção cresceu 9,5% de janeiro a agosto de 2008

Fonte: Editoria Zap

Previsão até o fim do ano é de crescimento de 10,5% sobre 2007

O setor de material de construção cresceu 9,5% de janeiro a agosto de 2008 na comparação com o mesmo período de 2007. Os dados são da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) e refletem o desempenho das lojas em volume de vendas.

Os materiais que tiveram maior destaque no período foram os materiais básicos (cimento, tijolo, areia, etc), que cresceram 13,5%, seguidos pelos materiais hidráulicos (9,2%), elétricos (8,4%) e de acabamentos(8%). “A tendência é de crescimento no segundo semestre, quando temos um aumento de cerca de 30% nas vendas na comparação com o primeiro semestre do ano”, diz Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco.

Segundo ele, esse aumento é explicado no comportamento do consumidor. “É verdade quando dizemos que o ano começa só depois do Carnaval. Férias escolares, período de chuvas, nada disso combina com reforma. Assim, o número de obras começa a crescer no segundo semestre, quando também temos os dissídios, e prossegue até próximo do Natal”, declara.
 
Perfil dos consumidores
Conz também diz que a Anamaco está finalizando uma pesquisa em parceria com a Latin Panel (maior empresa de painéis de consumidores da América Latina) para entender o perfil do consumidor do setor. “Estamos fechando os dados que vão mostrar a realidade das casas do brasileiro. Onde ele mora, onde faz suas compras para grandes obras ou reposição, como escolhe a loja, qual é o seu perfil por classe social, número de pessoas da família, como é a casa em que ele vive, se é de alvenaria, se tem piso etc.”, declara Conz. “Também vamos abordar a intenção de reformar ou ampliar e se ela se confirmou nos últimos seis meses, quando a primeira edição da pesquisa detectou que um em cada 3 lares brasileiros pretendia reformar ou construir”, conclui.
 
Reflexos do PIB
No segundo trimestre deste ano, o PIB (produto interno bruto) brasileiro, em valores correntes, chegou a R$ 416.9 bilhões. Em comparação com o mesmo período de 2007, o índice teve crescimento de 6,1%, e, na comparação entre o primeiro semestre de 2008 com o mesmo período de 2007, a alta foi de 6%.

O setor que mais se desenvolveu neste período foi o de Agropecuária, com 3,8% de crescimento, seguido por Serviços (1,3%) e Indústria (0,9%). Neste último, a Construção Civil foi o maior destaque, beneficiada pelo aumento de 5% da população ocupada no setor e pelo crescimento nominal de 26,7% de operações de crédito para o setor da habitação.

Os números comprovam o aquecimento da Construção, que também se beneficia da queda dos juros, aumento do número de linhas de financiamentos destinadas ao segmento e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com grandes investimentos para a cadeia produtiva da construção.

“Bons ventos estão soprando ao nosso favor, mas somos um setor que fez a lição de casa. Reunimos indústria e varejo, deixando as diferenças de lado e, juntos, fundamos a União Nacional da Construção. Em conjunto com as demais entidades do setor, apresentamos um projeto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, por sua vez, o aproveitou na criação do PAC. E, no último dia 12 de agosto, tivemos a honra de homenagear o presidente Lula em nosso principal evento, o Prêmio Anamaco. Em seu discurso, o governo reconheceu a nossa atuação e disse que o setor colhe os frutos que plantou em parceria com o poder público”, declara Conz.
 
Outros impactos
Com o setor aquecido e aumento das vendas, as lojas estão ampliando seus estoques. “Sempre que muitas lojas ampliam seus estoques simultaneamente, isso demanda um ajuste por parte da indústria, pois ocasiona alguns problemas de abastecimento, mas que são pontuais”, explica Cláudio Conz. “Estamos atuando em conjunto com a indústria para solucionar esses problemas caso a caso”, completa.
 
Crise da Bolívia
Problemas externos também afetam diretamente o mercado brasileiro. A Bolívia passa por diversos conflitos atualmente e diminuiu o volume de gás natural exportado para o Brasil. “O setor cerâmico é o mais dependente deste combustível, e deve sofrer alguns reflexos à medida em que o preço do gás continuar subindo”, disse Conz.

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