03/11/2010

Como decorar sem prejudicar o orçamento

Como decorar sem prejudicar o orçamento

Fonte: Revista do ZAP

Montar a casa com ajuda de um profissional não precisa custar uma fortuna

Quebrar parede, instalar o piso, escolher móveis, comprar eletrodomésticos. A lista de tarefas dos proprietários pode ser tão extensa quanto cara, já que equipar a tão sonhada casa custa entre 5% e 30% do preço do imóvel, segundo estimativas de profissionais do setor. Mas antes de se conformar em morar no local como foi entregue pela construtora ou pelo antigo proprietário, convém se perguntar: será mesmo que o custo de um lar decorado ao gosto do cliente, com ajuda especializada, precisa ser tão alto? A resposta é não.

sala decorada

Para montar um ambiente lindo sem muito custo, alguns decoradores partem de uma peça-chave mais cara e montam o resto do cômodo com verdadeiros “achados”, comprados em liquidações ou fabricados pelos próprios profissionais. O arquiteto economiza com planejamento e boas ideias. Comanda a caça às promoções, as negociações com os fabricantes e as instalações na busca de barateamento. Mas é preciso, antes de tudo, se certificar de que ele está disposto a aumentar as horas de dedicação ao projeto. E nada de vergonha: o dono do imóvel deve dizer o quanto pode gastar.

– Eu coloco o cliente para trabalhar comigo. O essencial é essa parceria – garante a arquiteta Tânia Fernandes

Ela garante que não faz cara feia quando o cliente fecha a mão, desde que ele também esteja disposto a pesquisar e pechinchar:

– Se for preciso, eu aproveito promoções ou busco materiais substitutos, mas de boa qualidade.

Segundo Tânia, é necessário saber diferenciar um produto caro de uma boa compra. Quem investe em itens de longa durabilidade pode dar um descanso para o bolso no futuro – basta uma mão de tinta ou um novo estofado para transformar aquele móvel velho em uma peça nova.

Não fique refém do arquiteto
O visual da reforma é fruto do trabalho do arquiteto, mas a cifra final depende em boa parte das escolhas do cliente. Afinal, nada sugerido pelo arquiteto, seja caro ou barato, entra no orçamento sem o aval do proprietário. Quem deixa tudo nas mãos do profissional ou faz questão de uma decoração de última geração, paga um preço muito caro.

– Fazer um projeto é como comprar um carro: ele pode custar R$ 20 mil ou R$ 40 mil, depende dos acessórios que você escolhe – compara a arquiteta Cristina Braz. – Há uma grande variação de valores entre móveis simples e funcionais e móveis mais modernos.

Se for o decorador que não estiver disposto a abrir mão do luxo, não hesite: procure outro. Um profissional qualificado deve ser capaz de colocar as ideias do cliente em prática por um preço realista.

– Quando o profissional é mais conhecido ele cobra o que quiser, e o cliente acaba pagando por isso. Uma dica é procurar por conta própria opções de outros fornecedores e confrontá-las com as do decorador, além de buscar os valores tabelados em associações para saber se os honorários estão de fato muito salgados – reconhece Cristina.

Quando Luiz Antonio de Araújo, 40 anos, e sua mulher Juciene de Araújo, 31, procuraram os serviços de Tânia Fernandes, deixaram claro que procuravam qualidade, mas a um preço justo. Para isso, participaram da escolha de todas as grandes compras. A parceria deu tão certo que o casal está trabalhando no terceiro projeto com ela. Enquanto esperam o novo apartamento ficar pronto, os dois já começaram a busca por barganhas e guardam os melhores achados. Luiz Antonio garante que o cuidado em não deixar para a última hora vale a pena.

– Talvez um projeto mais caro demore até mais. É questão de disponibilidade do arquiteto, que precisa separar alguns dias para garimpar o dia todo no comércio – acredita.

Cliente x arquiteto
> Qual é o papel do cliente em uma reforma?
Ele tem que dar palpite em tudo, dizer suas necessidades, seu gosto e sua disponibilidade financeira. O arquiteto usa seu conhecimento para traduzir tudo isso, mas o projeto residencial tem de ser 90% do cliente. Essa história de “o arquiteto me levou à ruína” é mentira, imagina se a gente tem esse poder de gastar o dinheiro dos outros? A gente só faz o que eles autorizam.

> Posso ter um projeto legal sem ter uma grande verba?
O dinheiro faz diferença sim. Você não pode ter um lugar legal, aconchegante, de bom acabamento e solidez sem o mínimo. Hoje tem alternativas, e é tudo uma questão de saber garimpar o que dura mais por menos, mas é difícil, e exige mais elaboração. Não adianta o cliente gastar uma fortuna em mármore e não querer pagar o projeto, o detalhamento e o acompanhamento. As pessoas se iludem e perdem material e tempo, fica tudo sem continuidade.

> A decoração feita por um profissional é um luxo?
A arquitetura é para todos, pois é uma necessidade. É óbvio que se você não tiver o mínimo para gastar, não pode ter nem uma casa. Se eu não tenho o que comer, por exemplo, é claro que eu mesma posso levantar uma parede e um teto. Mas se eu já posso pagar um pedreiro para fazer isso, posso chamar um profissional que vai conceituar o ambiente. O arquiteto profissional é um luxo no sentido em que um médico também é um luxo: ele poupa o serviço de cuidar do local onde eu vivo, para que eu tenha prazer em viver lá.

> Então por que temos essa ideia de que iremos gastar fortunas com um arquiteto?
O profissional tem de ter um preço igual para todos, mas alguns criam uma fama, uma grife, e aumentam o seu preço. Mas um profissional menos conhecido pode trabalhar de forma econômica e trazer satisfação do mesmo jeito. Para isso usamos materiais mais nobres, mas em pouca quantidade. E, ainda assim, tem gente que investe muito pouco e depois pergunta “É só isso?”. Por isso, hoje a gente apresenta duas soluções, uma barata e outra mais cara, para o cliente escolher.

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Tags: decoração

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