06/10/2009

Como transformar dois apartamentos em um

Fonte: O Estado de S. Paulo

Após o casamento, a compra da residência ao lado e o desafio de uni-las

Reforma para transformar dois apartamentos em um só durou 9 meses (Foto: Kitty Paranaguá/AE)
Reforma para transformar dois apartamentos em um só durou 9 meses (Foto: Kitty Paranaguá/AE)

Um novo casamento acendeu na proprietária de um confortável apartamento no Leblon o desejo de tornar os ambientes maiores para dar mais conforto aos filhos – os seus e o do marido. Sua sorte foi poder comprar justamente o apartamento ao lado num dos mais emblemáticos edifícios da zona sul do Rio, transformando dois em um, com 500 m² e quatro quartos. O arquiteto Mauricio Nobrega foi chamado para fazer a reforma, que durou cerca de nove meses, com a missão de não deixar que parecessem dois apartamentos ligados e espelhados. “Botei tudo abaixo e dei nova serventia aos antigos ambientes. Às vezes, quando se juntam dois apartamentos, ficam duas cozinhas, duas áreas e não existe integração. Não era essa ideia, e quem visita o lugar nem percebe que houve essa fusão”, explica.

O arquiteto, que já tinha feito o apartamento anterior da proprietária, criou uma espaçosa área social interligando living, sala de TV, sala de jantar e escritório, além de uma cozinha gourmet. Unificando tudo está o piso de cerâmica Brennand, que dá mais claridade aos ambientes e é ideal para o clima da cidade. Mas quando necessário, venezianas tipo brise, de correr, fecham cada um dos cômodos. “Em comum está também a utilização de painéis de bambu prensado [da Espaço Multi], que usei na parede da sala de TV, no teto [para esconder a aparelhagem de ar condicionado] e nas laterais da parede da sala de jantar.”

Muitos móveis das antigas residências do casal foram aproveitados. A mesa de jantar e o lustre da Micasa já faziam parte da decoração anterior e continuam imbatíveis em seus propósitos, agora acompanhadas de cadeiras do Arquivo Contemporâneo.

“Eu já tinha feito anteriormente um painel de bambu prensado para a sala. Com a reforma, aproveitei um deles e forrei outro pedaço da parede com o mesmo material. Acho que deu um bom equilíbrio”, diz o arquiteto. A mesa do apartamento do marido, antiga, agora serve de bar. Duas poltronas, que ficam no hall de entrada, ganharam forração de palhinha da Empório Beraldin, de onde vem o restante dos tecidos, inclusive os das almofadas, de coleções da designer inglesa Tricia Guild. Outra boa sacada foi juntar quatro mesinhas de centro e transformá-las numa só, já que o espaço agora precisava de peças maiores.

No fundo da sala de TV, acompanhando outro painel de bambu prensado, uma prateleira do mesmo material – sobre a qual estão duas litogravuras de Di Cavalcanti – se estende até a bancada da cozinha gourmet. “Gosto desse material e resolvi usá-lo de várias maneiras”, salienta Nóbrega. Ao lado, a pequena cozinha faz bonito: os eletrodomésticos são de inox, a bancada é de limestone e os armários são da Favo.

Os sofás de capa branca cumprem seu papel. Estão sempre impecáveis em uma casa onde as crianças circulam livremente e dão o ar informal, e ao mesmo tempo elegante, que o casal queria. Numa mistura de moderno e antigo, peças do antiquário Arnaldo Danemberg juntam-se às que os moradores já possuíam.

O quarto principal tem dois banheiros e closet e duas poltronas Charles Eames. Atrás da cama, um rasgo na parede recebeu espelho e acomoda pequenos objetos. O quarto da menina tem clima bem diferente do resto da casa, com paredes revestidas de listras e flores. Mas um detalhe de design de primeira fica na estante: uma prateleira Worm, de Ron Arad.

A proprietária só não abriu mão de seu antigo lavabo. “Como ela tem muitos livros, fiz um lavabo-biblioteca no projeto anterior, aproveitando bem o pequeno espaço. E ela fez questão de manter do mesmo jeito”, revela Mauricio Nobrega.

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