12/10/2007

Conceito agrada urbanistas

Fonte: Jornal da Tarde

Especialistas elogiam iniciativa e defendem maior integração entre espaços privados e públicos

Felipe Araújo/AEZap o especialista em imóveisVista aérea do imenso terreno onde a Tecnisa irá construir mega empreendimento no bairro da Barra Funda

Mesmo sendo uma iniciativa tímida diante do enorme volume de lançamentos do setor, o novo conceito urbanístico que agrupa condomínios residenciais e parques públicos sob o mesmo empreendimento é elogiado por aqueles que têm como função pensar e planejar o layout de uma região. Arquitetos e urbanistas acreditam que o investimento privado na revitalização de áreas comuns é fundamental para a expansão consciente da cidade.

“Iniciativa como essa está sintonizada com o que vem sendo discutido na revisão da lei de parcelamento do solo”, afirma o arquiteto e urbanista do Instituo Pólis, Kazuo Nakano. “Se a gente não tiver um porcentual de área que deva ser doada para utilização pública, vamos continuar tendo uma seqüência de criação de espaços privados na cidade”, completa.

Segundo Mara Paludo, arquiteta e urbanista que assina os projetos de espaço público dos empreendimentos da Agra e Tecnisa, espaços como esses geram um “refresco urbano” em meio a regiões marcadas por uma ocupação rápida e depredadora. “As cidades são carentes de espaços coletivos de encontro e lazer. Por isso a proposição é transformar essas áreas grandes em espaços urbanos mais agradáveis”, conta.

Especialista no assunto, Mara trouxe para os empreendimentos da Capital e Grande São Paulo a experiência que adquiriu com os projetos de desenvolvimento urbano de Curitiba durante a administração do ex-prefeito Jaime Lerner. “A filosofia é a mesma: melhorar o espaço urbano, que é hoje o habitat do homem moderno”. A cidade da região sul do País é considerada modelo nessa área.

A diretora de Meio Ambiente e Paisagem Urbana da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Regina Monteiro, diz que projetos como esses são viabilizados graças à grandiosidade dos terrenos e a contrapartidas da lei. “Dependendo do tamanho, as construtoras são obrigadas a doar uma parte para obras viárias e áreas verdes. Seria bacana se empreendimentos menores também fizessem isso”, comenta.

De acordo com Regina, todos empreendimentos que concentram prédios residências e comerciais em uma mesma área – como é caso de ambos os projetos – devem respeitar e seguir uma série de regulamentações legais, como o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). “Quando os empreendimentos são pólos geradores de tráfego, a Prefeitura exige algumas mudanças viárias”, diz.

Conforme determina a legislação, as empresas incorporadoras e construtoras também são responsáveis pela execução de toda a obra de infra-estrutura, como rede de água, esgoto e iluminação. “É como se o empreendedor tivesse refazendo um loteamento. Por isso as exigências são semelhantes”, explica Regina.

 

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