05/11/2008

Conceito de cozinha integrada à sala exige mudanças radicais

Fonte: Globo online

Há quem diga que se trata de uma evolução da cozinha americana

Rio de Janeiro – Não é novidade que a cozinha é um dos ambientes preferidos dos brasileiros. São muito comuns aquelas cenas em que as pessoas acabam se reunindo em torno da mesa da cozinha, enquanto o anfitrião prepara suas delícias. O clima descontraído de uma cozinha desperta interesse bem maior que o conforto das poltronas das salas de estar. Com a tendência de integração dos ambientes, a cozinha torna-se cada vez mais a área social de um lar.

Há quem diga que se trata de uma evolução da cozinha americana. No lugar da parede ou da bancada que separa os dois ambientes, entra em cena uma espécie de ilha com armários, fogão e pia, agregando a função de sala de jantar com uma grande bancada ou mesa anexa repleta de bancos ou cadeiras ao redor. Para harmonizar os ambientes, saem os azulejos e entram os revestimentos. Os laminados fórmicos dão lugar aos laminados de madeira natural ou laca de alto brilho em diversas cores. Ou seja, fim da padronização das cores dos armários, pois assim como na decoração da sala, é permitido ousar, brincar, misturar – armários inferiores podem ser de cor diferente das peças superiores.

Nessa onda, os fabricantes sofisticaram as novas linhas de armários para se adequar às mudanças dos novos tempos. Houve uma limpeza geral no visual. Foram eliminadas as ferragens e os puxadores, parecem formar um monobloco compacto, do chão ao teto, deixando à vista apenas alguns eletrodométicos. Também não faltam soluções para camuflar os eletrodomésticos a exemplo do Estúdio do Jovem Empresário, projeto de Christiane Magalhães e Philippe Nunes, da Mostra Morar Mais Por Menos, onde a pia, o refrigerador e forno elétricos estão embutidos num armário de 65 centímetros com portas camarão, que permitem abertura total ou não. Nunes explica a parede foi puxada para frente com gesso acartonado e colocado granito na bancada da pia e ao seu fundo para preservar a madeira do móvel. Já o fogão elétrico foi instalado na bancada de vidro preto temperado de dois metros de cumprimento e 60 centímetros de largura chumbada na parede. 
 
“A cozinha é um espaço de integração das pessoas. Fizemos uma bancada estreita e puxamos a parede com gesso com a intenção de aproximar mesmo a pessoa que está cozinhado daquelas que estão acompanhando o preparo da refeição”, diz Nunes.

Ele destaca que cada vez mais é menor o abismo entre o que se apresenta nas mostras de decoração dos projetos encomendados pelos clientes. Até mesmo os novos empreendimentos imobiliários estão com opções de integração total ou parcial das cozinhas, especialmente na Barra da Tijuca e Niterói.

“As pessoas estão pedindo para quebrarmos as paredes das cozinhas. Antes havia muita resistência à idéia de integrar sala e cozinha. Claro que vai depender do estilo de vida de cada cliente”, acrescenta o arquiteto.

Anderson Domingos, designer da Ideaocubo, responsável pela criação dos móveis da Treselle, ressalta que a mudança no conceito da cozinha está fortemente ligada às questões econômicas, tecnológicas e culturais, tendo em vista a redução das áreas dos novas unidades residenciais. A partir de diminuição dos espaços, buscou-se uma forma de aproveitá-lo ao máximo e assim as paredes ruíram, o que vem gerando mudanças nos setores envolvidos.

“Além da preocupação visual, passou-se a investir na funcionalidade dos armários no dia-a-dia e a procedência da matéria-prima. Os compensados foram substituídos pelo MDF que tem baixa emissão de formaldeído, substância cancerígena. Não se pensava nesse tipo de coisa há cerca de três anos”, – ressalta Domingos.

Ele acredita que tendência é de que os projetos sejam cada vez mais humanizados, atendendo, de fato, as reais necessidades das pessoas como por exemplo uma bancada já com as tomadas. Como reflexo da maior exigência dos consumidores, estão portas que se abrem por meio de três sistemas diferenciados: leve-toque, deslizando para o lado ou Flap (de baixo para cima, no caso dos armários superiores).

Na parte interna também foram desenvolvidos projetos que permitem o melhor aproveitamento do espaço e praticidade no uso diário. Na linha há armários com gavetão destinado ao reciclado e gaveta do chef de cozinha com áreas definidas para cada um dos apetrechos.

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