30/10/2006

Condomínio e Polícia contra o crime

Fonte: O Estado de S. Paulo

Integração com uso de projeto básico e econômico de equipamentos e treinamento pode ser a saída para combater assaltos Instalar e manter sistema pode custar em média R$ 600 por mês

J.F.Diorio/AEZap o especialista em imóveisSimples – Bittencourt Filho: Não é um troço da China, é um sistema simples, no qual o porteiro vai enxergar 2 ou 3 prédios ao mesmo tempo

Para coibir o assalto a condomínios e ampliar a segurança dos moradores na capital, a Secretaria de Segurança Pública desenvolveu um programa de vigilância integrada entre os edifícios.
O projeto consiste na união de prédios próximos. Cada um tem de instalar uma câmera, um seqüenciador de imagens – ligado à câmera e ao monitor – um botão de pânico e um rádio comunicador, tudo na portaria. O trabalho de cada porteiro é acompanhado pelos outros participantes. No caso de um funcionário ser rendido por assaltantes, quem está vendo o roubo avisa a empresa de segurança contratada para o monitoramento que entra em contato com a polícia.

A instalação do sistema e a manutenção podem custar em média R$ 600 por mês para cada condomínio, até 10 vezes menos que a contratação de uma empresa de vigilância. “Não é um troço da China, apenas um sistema bem simples, no qual um porteiro vai enxergar dois ou três prédios ao mesmo tempo”, afirma o diretor do Departamento de Investigação sobre o Crime Organizado (Deic), Godofredo Bittencourt Filho.

Esta interação entre condomínios é a arma que a Polícia Civil indica contra o crime organizado. Neste ano foram registrados cerca de 20 assaltos do tipo na capital, onde há cerca de 27 mil conjuntos. Número considerado expressivo e alarmante por Bittencourt Filho, já que em 2004 foram 30 ataques em todo o Estado. Segundo ele, foi preciso pensar numa fórmula básica e de baixo custo para a proteção dos condomínios. Pois, desde meados do ano passado eles têm sido o alvo dos “bandidos mais inteligentes”. “A onda é fazer prédio”, diz.

O vice-presidente de administração imobiliária e condomínios do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Hubert Gebara, acredita que o sistema desenvolvido pela polícia não seja definitivo, mas é “uma idéia inteligente”. “Se estou sendo assaltado e meu vizinho vislumbra, eu fico quietinho e ele aciona a polícia”, afirma. “Além disso, os bandidos geralmente têm informações e sabendo que há quatro prédios ‘lincados’, podem tomar mais cuidado para invadir um desses.” Ele recorda que há 10 anos a média era de 2 assaltos por ano. “Não havia guarita em prédio e agora tem de tudo.” O aumento de crimes em condomínios, segundo Bittencourt Filho, ocorre porque os bandidos encontram dinheiro e objetos de valor nos apartamentos. Ele diz que a partir do momento em que a polícia passou a dificultar roubos em bancos e a carros, o ladrão começou a procurar “e acabou por achar esse quinhão”.

Há vulnerabilidades ao redor do condomínio. “Muitas vezes as laterais e os fundos não estão seguros, como também as vias de acesso, ou seja as garagens e portarias. As pessoas responsáveis por estes acessos muitas vezes não estão preparadas”, afirma o titular da 2.ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio, Edison Remígio de Santi. 

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