05/08/2008

Condomínio sobe 7,41%. É hora de economizar

Fonte: Jornal da Tarde

Aumento foi registrado nos últimos 12 meses e supera a inflação no mesmo período, que ficou em 5,97%, segundo levantamento do Dieese.

Má notícia para quem mora em apartamento. A taxa de condomínio ficou 7,41% mais cara nos últimos 12 meses. A alta, registrada pelo Índice do Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), foi superior à inflação acumulada no período, de 5,97%.

Nos cálculos do Dieese, três despesas compõem a inflação dos condomínios: os gastos com mão-de-obra (que respondem por 76,35% do total), água (com 15,16%) e luz (com 8,49%). De acordo com Cornélia Porto, coordenadora do ICV, os reajustes na folha de pagamento foram os principais vilões.

Em março, quando o salário mínimo dos empregados domésticos no Estado de São Paulo passou de R$ 410 para R$ 450, a inflação dos condomínios subiu 7,88% em apenas 30 dias. “Como boa parte dos edifícios utiliza esse parâmetro para remunerar seus funcionários, o aumento do piso salarial impactou diretamente o valor da mensalidade”, declara Cornélia.

Mas a inflação não atingiu todos os edifícios. Prédios que incentivam o uso racional da água e da energia, por exemplo, não apenas escaparam do aumento como até conseguiram economizar.

Em Moema, na Zona Sul de São Paulo, o síndico Marcelo Stefano prevê que, na próxima assembléia de moradores, fique instituída uma redução de até 20% no valor do condomínio – que hoje custa R$ 700. Para conseguir esse resultado, Stefano diz ter usado uma receita simples: tratou o edifício em que vive como se fosse seu próprio negócio. “Analisei cada gasto que tínhamos e vi o que era possível fazer para reduzi-los”, diz o síndico, que administra um prédio de 32 apartamentos.

Em primeiro lugar, ele substituiu o zelador por um ‘encarregado de serviços gerais’, com salário 15% mais baixo. Além disso, os outros quatro funcionários do edifício – uma faxineira e três seguranças – foram todos terceirizados. Para Ana Paula Pelegrino, diretora da administradora Adbens, a terceirização é uma alternativa econômica pois, além de livrar o edifício dos encargos trabalhistas e da gestão do pessoal, ainda evita outros gastos adicionais. “As horas extras, por exemplo, costumam ser grandes vilãs das folhas de pagamento dos condomínios.”

Individualizar a conta de água foi outra economia importante realizada por Stefano em seu edifício. Depois de pesquisar várias opções no mercado, o síndico viu que era possível instalar um medidor em cada apartamento e ratear de forma mais justa esse tipo de despesa. Para realizar a mudança, cada morador contribuiu com 10 parcelas de R$18. “Vimos que apenas três apartamentos consumiam 50% de toda água. Assim, com a individualização da conta, as outras 29 unidades passaram a receber um condomínio ao menos 10% mais barato.”

Raquel Bueno, coordenadora da Lello Condomínios, lembra apenas que não são todos os edifícios que podem realizar a individualização da conta de água. “Nos prédios mais antigos, o sistema de encanamento dificulta a instalação de medidores e torna a operação muito cara”, afirma.

Stefano ainda implantou um sistema de reciclagem de lixo e de óleo no edifício. Tudo sem custo algum para os moradores. “Pedi as caçambas de lixo para a Prefeitura. E no caso do óleo, entrei em contato com uma escola da região que utiliza o produto para fabricar sabão e manter um projeto social.”

Embora o prédio de Stefano não seja remunerado por essas ações, elas acabaram gerando uma economia indireta. A limpeza da caixa de esgoto, antes feita a cada três meses, passou a ser realizada duas vezes ao ano. “Com isso, deixei de gastar R$ 800”, diz o síndico. As melhorias geraram ainda outro efeito: a inadimplência cai a quase zero.

Para Hubert Gebara, vice-presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo, cuidados como os tomados por Stefano não são apenas uma forma de economizar. “Ao fazer o edifício funcionar melhor, o apartamento fica mais valorizado e o proprietário só tem a ganhar.”

ECONOMIZANDO
Como os gastos com salários dos empregados são as despesas mais altas, é preciso dimensionar corretamente a equipe

Equipe mais adequada evita o pagamento de horas extras e mais encargos trabalhistas

Optar por lâmpadas econômicas e sensores de presença reduzem em até 40% as contas de luz

De madrugada, a sugestão é iluminar apenas as áreas de circulação (como garagem e a entrada)

Instalar um medidor em cada apartamento e individualizar a conta de água também pode representar uma economia de até 25%

Adotar uma política de reciclagem de lixo e óleo pode poupar serviço dos funcionários e ainda reduzir gastos com limpeza

DESPESAS
“As horas extras costumam ser grandes vilãs das folhas de pagamento dos condomínios”, Ana Paula Pelegrino, diretora da Adbens

PISO SALARIAL
R$ 450 é o valor do salário mínimo para empregados domésticos no Estado de São Paulo, valor que foi determinado em março deste ano. O reajuste inflacionou os custos dos condomínios, pois só em março houve aumento de 7,88% na despesas gerais. Por conta disso, muitos síndicos estão demitindo para reduzir gastos

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