30/10/2006

Condomínios têm serviços, verde e segmentação

Fonte: O Estado de S. Paulo

Comunidades têm sistema de reuso de água, reciclagem e espaço para lazer

Os condomínios existentes apenas na cidade de São Paulo movimentam R$ 5 bilhões. São 27 mil condomínios na capital, 32 mil na Grande São Paulo e 40 mil no Estado. A média é de 6 funcionários por prédio, 240 mil empregos diretos, formais.

Confrontados com o desafio dos assaltos a prédios ou conjuntos de casas, o setor imobiliário e Estado fizeram uma parceria inédita entre o Sindicato da Habitação (Secovi-SP) e a Secretaria de Segurança Pública para motivar ações inovadoras para impedir que se perca o controle da situação. Essa parceria está aberta a outras entidades como a AABIC, Creci, OAB e Sciesp.

Talvez por causa de tantas dificuldades, os condomínios estão se modificando. A mudança não é só na altura dos muros e nos equipamentos de segurança. É mais ampla e seu objetivo é tornar a vida nessas comunidades, além de mais segura, cada vez mais atraente.

Esta mudança reflete um novo tipo de vida intramuros. Os condomínios vieram para ser ilhas de tranqüilidade, no oceano imprevisível das grandes cidades.

Seu espaço interno formado por unidades autônomas e áreas comuns, está se tornando, portanto, uma segunda vida para os moradores, dispostos a evitar as ruas.

Há um problema de marketing pairando no ar. Por isto os condomínios precisam se tornar produtos ainda melhores. Construtoras, administradoras e síndicos têm de perseguir esses objetivos.

O conceito de concierge é a mais recente tendência destinada a facilitar a vida de quem mora e trabalha em condomínios residenciais e comerciais. São inspirados nos serviços dos hotéis que concentram na portaria uma ampla gama de serviços destinados a facilitar a vida dos hóspedes.

Os números demonstram que esta tendência veio para ficar. Pesquisa em que foram ouvidos 500 condomínios mostra que, em São Paulo, grande parte dessas comunidades possuem sistema de reaproveitamento de água, sala de leitura, espaço gourmet, sauna, sala de ginástica, sala de repouso, aquecimento e salão de jogos.
Outra recente tendência é a da segmentação. Os públicos já não são mais os mesmos e a diferença deixou de ser apenas de poder aquisitivo.

Casais jovens, solteiros, estudantes, descasados e idosos têm opiniões próprias sobre espaço, conforto e lazer. Logo surgirão condomínios especializados em determinado tipo de público, conforme faixa etária, situação civil.

É uma conseqüência do crescimento do mercado. Já ocorreu em outros segmentos, que não o imobiliário.

Essas inovações estão pondo em xeque os projetos dos prédios. Assim como aconteceu com as garagens em décadas passadas, está ocorrendo agora com o espaço destinado à armazenagem do lixo da coleta seletiva, número de paredes divisórias, posição da cozinha e do living em relação aos dormitórios, academia, sala de som para adolescentes e assim por diante.

Nossos arquitetos têm de prever esses espaços não apenas de forma convencional, mas também de maneira inusitada.
É essencial que as construtoras e administradoras trabalhem em parceria já no projeto. Essa precaução pode permitir mais economia, conforto, lazer e segurança quando o condomínio for instalado.

Hubert Gebara é vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.