30/10/2006

Consórcio, cada vez mais um caminho para a casa própria

Fonte: O Estado de S. Paulo

A venda de cotas cresce em ritmo acelerado principalmente por suas regras fixas e ausência dos juros que encarecem o financiamento bancário tradicional. Mas é preciso pagar taxa de administração, seguro e fundo de reserva, o que exige disciplina férrea de quem entra nesse tipo de negócio

O consórcio imobiliário é cada vez mais procurado por quem não quer comprar a casa própria por meio de financiamento. Sem as altas taxas de juros cobradas pelos bancos, esse tipo de consórcio hoje é oferecido tanto por administradoras com tradição no mercado quanto por instituições populares, como a Caixa Econômica Federal e o Bradesco. E tem se mostrado um bom negócio: as vendas de cotas quase dobraram no último ano, subindo de 73,8 mil ao longo de 2002, para 114,5 mil, em 2003.

O consórcio de imóveis funciona como o de veículos. O interessado procura um banco ou administradora e define o valor do imóvel que deseja comprar.

Escolhido o valor, ele se junta a um grupo de pessoas que têm o mesmo objetivo que o seu e começa a pagar uma cota mensal. Mensalmente, paga-se também por uma taxa de administração, pelos seguros e pelo fundo de reserva.

Normalmente, dois imóveis são entregues a cada mês, um para um participante que foi sorteado e outro, para quem ofereceu um bom lance.

A correção do débito é feita uma vez por ano, de acordo com um índice preestabelecido. Mas o consorciado não precisa pagar juros – e essa é, para as administradoras, a maior vantagem desse tipo de negócio. “O consórcio é uma boa opção de crédito imobiliário porque, hoje, existem muitas formas de o cliente ser contemplado”, diz o gerente-administrativo da Porto Seguro, Israel Santos, citando como exemplo a possibilidade de o lance ser feito com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O gerente-administrativo do Panamericano, Eduardo Martins, porém, lembra que esse não é o tipo de dívida que todo mundo está preparado para assumir. “O comprador de uma cota tem de ser um potencial poupador”, diz.

Além de ter disciplina para poupar, quem tem interesse em comprar um imóvel dessa maneira também precisa lembrar que, se a contemplação não ocorrer logo e não houver condições de se dar um bom lance, o crédito poderá demorar muito para sair, como lembra João Cláudio Saglietti, da Moreau Advogados.
Por isso, o consórcio só é vantajoso para quem não tem pressa para se mudar.

Quem vai atrás de consórcio porque não consegue atender às exigências dos bancos para entrar em um financiamento também pode se decepcionar. Apesar de não haver problemas para se comprar a cota, as exigências são feitas quando ocorre a contemplação. A vantagem do consorciado é que, se ele tem um bom histórico de pagamento das cotas, já conta com um diferencial positivo na hora da liberação do crédito – histórico que o banco, na hora de conceder um financiamento, não possui.

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