28/04/2009

Consórcio ganha espaço na compra da casa própria

Fonte: Jornal da Tarde

Modalidade foi usada por 6,3% dos paulistanos em fevereiro. Vendas de cotas cresceram 17% em média desde outubro por causa da crise. Taxa de administração da operação é mais baixa que os juros dos financiamentos

Em fevereiro, o consórcio foi a modalidade utilizada por 6,73% dos paulistanos que compraram a casa própria, informa a pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP). O pagamento à vista e os financiamentos bancários ainda são as formas mais usadas. Entretanto, a participação dos consórcios em fevereiro chama atenção porque, no mês anterior, o uso deste tipo de carta de crédito havia sido estatisticamente nulo.

“Os consórcios ganharam espaço rapidamente e permitiram que o comprador, com dinheiro na mão, contasse com maior poder de barganha para fazer um bom negócio”, declara José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP. De acordo com a pesquisa da entidade, os descontos para quem faz o pagamento à vista – seja com recursos próprios ou com a carta de crédito – chegam a 8% do valor do imóvel.

O aumento dos consórcios imobiliários se deve, em grande parte, à maior oferta do produto no mercado. “Hoje são mais de 230 administradoras que oferecem essa modalidade de crédito”, observa Luiz Fernando Savian, presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac-SP). Com isso, a base de clientes já chegou a 500 mil pessoas no País.

A crise colaborou para esse crescimento. Até outubro, a venda de consórcios imobiliários costumava subir, em média, 8% ao mês. “Mas desde que a crise se instaurou no Brasil e afetou o mercado de crédito, muitas pessoas preferiram escolher o consórcio em vez de encarar os juros altos de um financiamento”, afirma Savian. Com isso, as vendas passaram a ter alta de 17% ao mês.

Comparado ao financiamento, o consórcio tem a vantagem de ser mais barato. Enquanto os juros do crédito imobiliário giram em torno de 1% ao mês, no consórcio se paga apenas uma taxa de administração, que dificilmente passa de 0,2% ao mês, informa a Abac.

Entretanto, os consorciados não podem ter pressa. Quem financia a casa própria no banco pode efetuar a compra na hora e se mudar imediatamente para o imóvel. Já no consórcio, a carta de crédito que permitirá a aquisição da propriedade só chega quando o consorciado é contemplado em sorteio ou quando o prazo de contribuição chega ao fim.

“Mas com a crise, os juros subiram e o trabalhador passou a ter medo de perder o emprego”, analisa Savian. “Por isso, muita gente preferiu adiar a compra, poupar o dinheiro e pagar à vista.” Nesse cenário, o consórcio se tornou uma opção interessante. “É um jeito de poupar e, ao mesmo tempo, concorrer aos sorteios.”

Em 2008, mais de 60 mil pessoas foram contempladas em sorteios de consórcios imobiliários, ante 50,9 mil em 2007. “Com mais clientes, a carteira de consórcios fica maior e as administradoras podem contemplar mais pessoas”, conclui Savian.

COMO FUNCIONA – As prestações mensais não são acrescidas de taxa de juros, como no financiamento bancário. Mas as instituições de crédito podem aplicar correções anualmente com base no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

Ao comprar a carta de crédito, o consorciado deve esperar até o fim do pagamento das prestações para receber as chaves do imóvel. Porém, é possível adiantar o crédito fazendo lances mensais (inclusive utilizando recursos do FGTS) ou em sorteios.

O valor das prestações tem na base de cálculo uma taxa de administração, que corresponde em média a 0,2% ao mês – os juros dos financiamentos imobiliários ficam em torno de 1% ao mês.

Para selecionar uma das 230 administradoras que operam no Brasil, veja se a empresa está no ranking do Banco Central (http://www.bcb.gov.br/?consadm).

Na lista constam o número de clientes de cada empresa e a taxa de administração cobrada por elas.

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