30/10/2006

Consórcio pode ser bom negócio

Fonte: O Estado de S. Paulo

Consumidores relatam agilidade, segurança jurídica e taxas menores do que o juro do financiamento tradicional

A professora Célia Maria Montes demorou um ano pesquisando a melhor forma de comprar um apartamento novo, de acordo com suas possibilidades. “Eu tinha um pouco de grana, mas em todo banco que ia o financiamento era longo e o juro alto.” Ela queria quitar rápido a dívida, mas sem se enforcar com prestações caras. Como não tinha urgência em comprar, optou pelo consórcio, que não cobra taxa de juros.

Não precisou esperar muito pela carta de crédito. Após três meses de assinatura do contrato com a Rodobens, deu o lance mínimo e foi contemplada. “Agora faltam apenas 62 prestações, o mesmo tempo do financiamento de um carro hoje.”

Sem pressa, a professora escolheu um apartamento de três dormitórios, de R$ 80 mil, no Tatuapé, e se mudou nesta semana. Livre do aluguel, Célia Maria está satisfeita. “Gostei do sistema. Eles vão atrás de toda a documentação. Se tiver um “pelinho”, não recomendam a compra”, diz.

O empresário Aldemir Morais também preferiu o consórcio para obter carta de crédito e comprar o apartamento no Campo Belo, onde vai morar. Para a faixa de valor que pretendia – R$ 150 mil – os juros eram altos nos bancos. “Fiz a conta, em 15 anos pagaria três imóveis”, comenta.

Ofereceu como lance os R$ 30 mil que daria de sinal em um financiamento e foi contemplado num consórcio da Caixa. As parcelas cabem no bolso. “A prestação é inferior ao aluguel que eu pagava (R$ 2 mil).” Agora, depois de ter comprado e reformado o apartamento novo, ele se prepara para a mudança, dentro de duas semanas.

Crescimento 

O consórcio é uma modalidade de aquisição de imóveis relativamente nova no Brasil que atrai a cada ano mais consumidores. Em 2005, a carteira de consorciados cresceu 32% no País, segundo levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac). “Hoje há uma tendência de comportamento de planejar melhor”, avalia Rodolfo Montosa, presidente da Abac.

Por isso, o produto atende principalmente o consumidor da classe média (58% dos consorciados), que não tem pressa para pegar as chaves e pode arcar com as prestações e ainda, se for o caso, com o aluguel ao mesmo tempo. “Em geral é o cliente que tem conta bancária, emprego formal”, afirma.

O produto não concorre diretamente com o financiamento. “Quem tem pressa busca empréstimo.” E pela possibilidade de esperar o consorciado tem a vantagem de pagar menos. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.