03/12/2012

Construção civil cresce e muda a paisagem da cidade de Navegantes

Construção civil cresce e muda a paisagem da cidade de Navegantes

Fonte: Revista do ZAP

Verticalização e oportunidade de novos empreendimento é notória em bairros como o Gravatá

Impulsionada pelo crescimento econômico, a construção civil em Navegantes, em Santa Catarina, se desenvolve a passos largos e, aos poucos, transforma a paisagem da cidade. Casas cedem espaço aos edifícios e a verticalização, comum em municípios vizinhos como Balneário Camboriú e Itapema, começa a fazer parte do cenário de bairros como o Gravatá. De acordo com levantamento do Desenvolvimento Urbano, de 2000 a 2008, a emissão de alvarás para empreendimentos aumentou 361% em metros quadrados. Até julho de 2012, foram expedidas 295 licenças para construção em Navegantes.

Este crescimento é percebido de longe por quem há anos frequenta o local. Engenheiro da Celesc prestes a se aposentar, Pedro Inácio Bornhausen, 54 anos, era dono de uma casa no bairro Gravatá quando resolveu investir na construção de um prédio. Há 14 anos, ele faz parte um grupo de amigos, a maioria de Blumenau, que investem em imóveis. Eles já tinham construído dois prédios em Blumenau quando decidiram investir em Navegantes. O empreendimento começou justamente quando houve o boom imobiliário na cidade, em 2008. Quatro anos depois, o prédio de 18 apartamentos, de frente para a praia está pronto. Nove dos amplos apartamentos serão vendidos assim que a documentação estiver pronta.

“Ainda não fomos atrás de compradores, mas sabemos que a avaliação é boa e a venda fácil”, diz. Na época em que o prédio começou a ser erguido, Bornhausen conta que a Portonave estava se consolidando. Mas o fator que mais chamou a atenção do grupo foi o custo-benefício. O engenheiro explica que em comparação com outras cidades litorâneas da região, como Itapema e Balneário Camboriú, um terreno no Gravatá é mais barato, o que não significa que a qualidade da praia é ruim.

O secretário de Desenvolvimento Urbano do município, Cassiano Weiss, explica que esse aumento das áreas construídas se deve muito à verticalização, fenômeno que se deu especialmente no Gravatá. Mas o município como um todo apresenta crescimento nesse sentido.

“Este aumento se deve a vários fatores, como a vinda de empresas para o município e crescimento das que já estão instaladas aqui”, diz. Para o secretário, isso atraiu muitas pessoas para o município e fez surgir a necessidade da moradia. O porto e os grandes estaleiros foram fundamentais neste aspecto, porque houve a necessidade de trazer mão de obra especializada de fora apara atuar nessas áreas.

Por conta disso, a prefeitura já pensa em rever itens do plano diretor, que regula a ocupação do solo. Weiss diz que o documento é bastante novo, de 2008, e a explosão demográfica sinaliza para a necessidade de alteração. Isso começará a ser avaliado no início do ano que vem.

Venda fácil incrementa o setor imobiliário
O aquecimento do setor da construção civil em Navegantes se reflete não somente no número de empreendimentos lançados nos últimos anos, mas também no tempo que se leva para comercializar os imóveis. O mais recente prédio da construtora Médelli, uma das pioneiras na cidade, teve todos os apartamentos vendidos 43 dias após o lançamento.

O edifício Manchester, no Gravatá, tem 23 apartamentos, a maioria comercializados para moradores do Vale do Itajaí. Apesar disso, muitos dos apartamentos ainda estão desocupados. “Há pessoas que ainda preferem casas para veraneio”, diz a dona da construtora, Jovana Rodrigues.

Mesmo assim, as vendas em edifícios sempre se encerram rapidamente. A média de valor dos apartamentos de três quartos em condomínio com piscina é de R$ 270 mil. A construtora, que em 18 anos construiu 10 edifícios em Navegantes, nem precisa investir em publicidade.

“A maioria dos nossos compradores chega por indicação, é sempre o parente ou o conhecido de alguém que compra apartamento conosco”, conta Jovana. Olga Waldrich Waldrigue, 56, é um exemplo. Incentivada pelo filho, que tem um apartamento no Gravatá, ela comprou um imóvel ainda na planta. A brusquense foi atraída pela tranquilidade da praia e diz que pensa em morar com o marido em Navegantes. “Por enquanto, vou ficar um pouco aqui um pouco lá. No verão fico mais no Gravatá”, diz.

Bares e restaurantes se favorecem com a alta da construção
Os números da construção civil impactam positivamente em outros setores de Navegantes, como comércio e serviços. O presidente da Associação de Bares, Restaurantes e Hotéis de Navegantes (Abrhon), Felício Reginaldo da Costa, conta que em razão do crescimento imobiliário, a rotina dos estabelecimentos comerciais mudou nos últimos 10 anos.

Muitos comércios, especialmente da orla, não tinham como manter funcionários trabalhando durante todo o ano. Assim, trabalhavam nos três meses da temporada e decidiam fechar na baixa temporada ou abrir somente nos finais de semana.

“Agora nós já temos vida própria o ano inteiro”, garante Costa. Com a economia mais avançada, Costa diz que a preocupação dos empresários agora é com a balneabilidade da praia. Eles temem que com o aumento do turismo, a qualidade da praia acabe prejudicada.

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