03/10/2008

Construção civil oferece curso para atrair mão-de-obra

Fonte: Editoria Zap

Setor investe em aulas itinerantes para qualificar e certificar os trabalhadores

Fotos: DivulgaçãoZap o especialista em imóveisProgramas desenvolvidos pelas empresas devem melhorar a carência do setor

A carência de mão-de-obra é hoje um dos principais gargalos da construção civil. Para se ter uma idéia do tamanho do problema, segundo o levantamento do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), o preço que o Brasil terá de pagar para resolver a falta de trabalhadores no setor chega a R$ 5,1 bilhões. Esse é o valor estimado para a geração de vagas em cursos de capacitação e na certificação de trabalhadores.

O nível de emprego formal na construção civil segue em um ritmo tão acelerado que em relação ao ano passado dobrou. De janeiro a julho deste ano, a construção civil contratou 103% mais pessoas do que no mesmo período de 2007, segundo a pesquisa feita pela FGV Projetos (Fundação Getúlio Vargas). Ao todo, foram 271,4 mil novos trabalhadores com carteira assinada no país. A quantidade ainda é pequena se comparada ao tamanho da demanda.
 
Para evitar um colapso, algumas instituições e empresas privadas tomaram as rédeas da situação e começaram a investir em cursos com o objetivo de atrair novos profissionais ao mercado e qualificar os já empregados.

O Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) participa neste ano de eventos voltados a cadeia civil com um laboratório móvel no qual os alunos são capacitados. A iniciativa esteve presente, por exemplo, na Concrete Show South América 2008, realizada em São Paulo, apresentando soluções industrializadas para minimizar a escassez e aumentar a produtividade das obras.

 

Zap o especialista em imóveisCaminhão-escola da Arcelor Mittal já certificou 200 profissionais

A ArcelorMittal é outra empresa que tem uma unidade móvel percorrendo as principais cidade de São Paulo oferecendo o Mestre ArcelorMittal, cursos itinerantes de formação de pedreiros e mestres de obra. O caminhão-escola, que tem capacidade para atender até 30 alunos, tem aulas especializadas com duração de quatro horas e meia, material didático gratuito e certificado de conclusão do curso.

Segundo o analista de marketing da ArcelorMittal, Luís Gustavo Pracchia, a sala de aula itinerante visita obras, unidades de distribuição e unidades  industriais da empresa nas principais cidades do estado de São Paulo. “Até agora formamos oito turmas e certificamos 200 pessoas. Até o final de outubro, último mês do programa, vamos capacitar cerca de 1.000 pessoas”, diz Pracchia.

Até as empresas especializadas na contratação de profissionais pela internet estão auxiliando os profissionais da área a investirem em sua carreira. Marcelo Abrileri, presidente da Curriculum.com.br afirma que até o mês passado havia na base do portal mais de 20 mil vagas entre pedreiros e mestres de obras.

“O cenário positivo econômico do país reflete diretamente na criação de novos empregos, principalmente para aqueles setores que  recebem o maior investimento. Nos últimos anos, todos os índices apresentaram crescimento, entretanto, apenas um continua caindo, o da educação. E não existe progresso sem capacitação. É exatamente isso que deixamos bem claro para os candidatos”, comenta Abrileri.

O gerente de divisão da indústria da construção civil e da indústria pesada do grupo Gelre, Ricardo Del Dotore, aponta que é extremamente importante para a expansão do país o desenvolvimentos de projetos e programas para resolver o problema da falta da mão-de-obra e a baixa qualificação dos trabalhadores da área. Além do Senai e da ArcelorMittal, ele afirma que a DR Hidráulica trabalha em parceria com os Doutores da Construção para suprir também a demanda.

“Acredito que as ações das empresas devem melhor a situação da escassez. Mas é importante também que o próprio empregado entenda que a chance de conquistar cargos melhores e salários maiores é agora. E só vai alcançar oportunidades melhores quem estiver investindo na carreira”, diz Dotore.

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