30/10/2008

Construção terá R$ 3 bilhões em crédito

Fonte: Jornal da Tarde

Indústria em geral também poderá ser beneficiada com medida semelhante

Preocupado em proteger o País dos efeitos da freada na economia global, o governo anuncia hoje uma linha de crédito de R$ 3 bilhões para dar capital de giro ao setor de construção civil. A indústria em geral também poderá ser beneficiada com medida semelhante. E existe ainda a possibilidade de o governo alongar os prazos de recolhimento dos impostos, para dar mais fôlego ao caixa das empresas. Todas essas medidas foram anunciadas ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante o 3º Encontro Nacional da Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O socorro às construtoras virá da Caixa Econômica Federal, mas não sairá do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), disse o ministro. Ele disse que a taxa de juros a ser cobrada das empresas ainda será definida.

O setor pede que a nova linha de crédito não custe mais do que a variação da Taxa Referencial (TR), mais 9% ao ano. O dinheiro pode ser usado para operações de fusão entre construtoras, segundo informou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão. Poderá ser usado também para adiantar fluxo de caixa a construtoras que venderam a prazo, numa operação chamada compra de recebíveis.

Finalmente, construtoras que estejam em melhores condições poderão recorrer a essa linha de crédito para comprar empreendimentos lançados pelas concorrentes.

Segundo Simão, o montante prometido por Mantega é suficiente para evitar uma paralisação imediata do setor, cujo crescimento projetado este ano é de 8,5%.

“Vamos ter forte impacto na economia real”, afirmou Mantega, sem rodeios. “O mundo todo vai desacelerar e o travamento do crédito se transmitiu rapidamente para o nível de atividade.” Ele ressalvou que os efeitos serão menos sentidos pelos países emergentes porque esse grupo está em melhor posição para enfrentar as turbulências.

Bradesco prevê setor aquecido
Apesar da crise, o Bradesco prevê que o crédito imobiliário continuará aquecido. “Não haverá falta de recursos, porque há a exigibilidade (obrigação de aplicar recursos da caderneta de poupança em crédito imobiliário) a ser cumprida”, afirmou ontem o diretor de Relações com Investidores do Bradesco, Milton Vargas, durante teleconferência com analistas financeiros. O Bradesco separou, para este ano, R$ 5,7 bilhões para financiamento de imóveis. Até o encerramento do terceiro trimestre, R$ 4,812 bilhões já estavam comprometidos para essa finalidade.

Em relação ao crédito concedido para compra de automóveis, o presidente do Bradesco, Marcio Cypriano, disse que houve uma retração. “Já verificamos uma queda razoável nessa modalidade. O mercado se ressentiu mais com a crise e decidimos adotar algumas medidas para o momento, como a exigência de uma entrada maior para os financiamentos e redução de prazos, que estavam muito alongados”, afirmou.  

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.