22/08/2011

Construtoras investem em condomínios fechados com garagem para jatinho, pista de pouso e decolagem

Fonte: Jornal Extra
No condomínio A Ilha, moradores têm pista de pouso para helicópteros (Foto: Divulgação)
No condomínio A Ilha, moradores têm pista de pouso para helicópteros (Foto: Divulgação)

Estrutura de lazer, segurança e garagem são itens que costumam pesar na decisão de compra de um imóvel. Há clientes que, no entanto, podem exigir um pouco mais do empreendimento. Por exemplo, estacionamento para o seu jatinho, com pista de pouso e torre de controle do tráfego aéreo. Diante do crescimento da frota particular de aeronaves no Brasil – entre 2008 e 2010, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou alta de 76% -, algumas construtoras de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais começaram a investir em condomínios aeronáuticos, os fly-ins, com estrutura de lazer e todo o equipamento necessário para pouso, decolagem e manutenção das aeronaves, além da moradia.

O empresário e piloto Flavius Neves começou a construir o condomínio “Costa Esmeralda” em Porto Belo, Santa Catarina, há dois anos e meio, depois de enfrentar dificuldades para abastecer sua aeronave nas cidades de pouso.

“Gostava muito de voar de Itapema (SC) para Paraty, no Rio. Mas não encontrava boa infraestrutura no lugar em que aterrissava, em São Francisco”, reclama Flavius.

O empreendimento tem mais de 170 lotes para venda, dos quais 90 já foram vendidos. Além disso, terá pista de pouso e decolagem com 1,3 quilômetros de comprimento. Está prevista também a construção de torre de controle de tráfego aéreo e posto de abastecimento para aeronaves.

Outro condomínio de Santa Catarina que segue o modelo aeronáutico é o “Fly-Ville”, no município de Governador Celso Ramos. O empreendimento, que deve sair do papel em 60 dias, contará com 280 lotes, sendo 75 deles para hangares, além de área de lazer, piscina, salão de festas e áreas para caminhada.

Em Minas Gerais, há dois projetos de empreendimentos aeronáuticos ainda no papel: o condomínio com estacionamento para jatinhos “Fly-in Furnas”, que ainda aguarda a aprovação da prefeitura, e o “A Ilha”, para helicópteros, que será lançado esta semana. Ambos são da Alpa Empreendimentos e incluem ampla área de lazer, além de toda a estrutura para receber as aeronaves dos moradores. São Paulo também tem o seu condomínio aeronáutico, o Vale Eldorado, em Bragança, com pista de 800 metros de comprimento.

Para Alexandre Penido, um dos diretores da Alpa Empreendimentos, o incremento do número de condomínios com pista de pouso deve-se ao aumento do poder aquisitivo do brasileiro, juntamente com a busca pela economia de tempo. Além disso, o país conta hoje com 7.837 aeronaves particulares, um número, que, de acordo com a Anac, tende a crescer.

Por enquanto, os condomínios aeronáuticos no Brasil, estruturados para que o avião pare bem na porta de casa ainda são exceção, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos. Caso do Jumbolair, na cidade de Ocala, no Norte da Flórida, famoso por abrigar o ator John Travolta e suas aeronaves: o Boeing 707 e o jatinho Gulfstream II. Lá, as ruas entre as casas são usadas como pistas. Já aqui, na maioria dos empreendimentos, é preciso ter hangares para estacionar as aeronaves. Mas Penido acrecita que, assim como aconteceu nos EUA, este costume chegará ao Brasil.

“As pessoas que têm alguma aeronave podem sentir a necessidade de ter onde utilizá-las, por essa razão acredito que será uma tendência para os empreendimentos de alto padrão.”

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