03/07/2009

Conta de luz terá desconto conforme o horário de uso

Fonte: Jornal da Tarde

Proposta da Aneel, agência do governo para o setor de energia elétrica, prevê alterações nas tarifas, que seriam menores fora dos períodos de pico, a exemplo do que hoje ocorre com o custo das ligações telefônicas

(Foto: Stock.Fazzane)
Agência analisa hipótese de fazer as distribuidoras cobrarem tarifas diferenciadas (Foto: Stock.Fazzane)

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está estudando uma ampla reestruturação do sistema de tarifas de energia elétrica do País. Uma das ideias em pauta é estimular, pelo bolso, uma mudança de hábitos dos consumidores, visando um uso mais eficiente da energia. A agência analisa a hipótese de fazer as distribuidoras cobrarem, dos clientes residenciais, tarifas diferenciadas de acordo com o horário, como acontece hoje com a telefonia.

Isso hoje não é possível pela maneira como funciona o setor, já que as tarifas da chamada “baixa tensão” (residências e pequeno comércio) são unificadas dentro de área de cada empresa.

Se o usuário de telefone fixo já paga menos para fazer uma ligação interurbana de madrugada, o que a Aneel estuda é a possibilidade de a energia gasta em um banho, por exemplo, ser mais barata se o consumidor ligar seu chuveiro fora do chamado horário de pico: entre o fim da tarde e o começo da noite, que é quando a maioria das pessoas chega em casa do trabalho.

“Hoje o gerenciamento de demanda na chamada baixa tensão não existe. E nós vemos isso como algo desejável. Porque os consumidores sempre respondem ao sinal do preço – e eles devem ter essa oportunidade”, disse a diretora da Aneel Joísa Campanher Dutra.

Além da economia no bolso do consumidor, a distinção de tarifas em horários diferentes levaria a uma utilização mais eficiente e econômica da energia, reduzindo inclusive a necessidade de novas usinas.

Ao longo do dia, o consumo residencial é praticamente linear, com exceção do pico entre as 18h e as 21h e de uma ligeira elevação entre as 6h30 e as 7h, quando muitas pessoas tomam banho antes de sair para o trabalho.

Do ponto de vista legal, a adaptação para essas tarifas flexíveis pode ser feita pela própria Aneel. Mas ainda não há prazo para que isso seja colocado em prática.

A agência, aliás, já está há cerca de dois anos realizando estudos para tentar rearranjar toda a estrutura tarifária das distribuidoras, que inclui, além das residências, os clientes de alta tensão, como as indústrias.

“Todo esse debate terá ainda de ser submetido a uma audiência pública, que não tem data para ser feita. Até porque não temos uma proposta fechada. Estamos na fase de diagnóstico do problema”, disse Joísa. A Aneel chegou a promover um seminário internacional no mês passado para obter mais subsídios para seu trabalho.

Para colocar em prática as tarifas flexíveis nas residências seria também necessário disseminar o uso dos chamados medidores eletrônicos, porque, com os medidores tradicionais, analógicos, a diferenciação por horário de consumo não seria possível. Isso, porém, não seria um empecilho muito grande, uma vez que esses aparelhos – já usados por empresas como a Ampla, do Rio de Janeiro – ajudam a combater fraudes. Outra tecnologia, em fase de regulamentação, que pode favorecer a flexibilização das tarifas por horário é o chamado PLC (Power Line Communication), que é a internet pela rede elétrica.

“As pessoas falam que a indústria de energia passou muito tempo sem grandes inovações. Agora, por conta da medição eletrônica e do PLC deveremos ter mudanças importantes e rápidas”, disse Joísa. A Aneel, inclusive, já trabalha na elaboração de um modelo para o uso geral do medidor eletrônico no País. Hoje, as instalações que existem são oriundas de decisões voluntárias das empresas, que recebem apenas autorização da agência para colocar os medidores em suas redes. Hoje há 400 mil desses instrumentos instalados no País.

No caso das tarifas de alta tensão (indústrias, em sua maioria), o problema é outro. Existem preços diferenciados para diferentes classes de consumo. Mas a preocupação da agência é de que, em alguns casos, o preço pode induzir um determinado cliente a tentar mudar de faixa de consumo.

LEIA MAIS: Tarifa diferenciada já é usada na conta do telefone há mais de 10 anos

1 Comentário

  1. Da Light não tenho nada a reclamar! enquanto que da AMPLA só tenho… pago em minha casa de praia que so vou lá um final de semana por mês , mais caro que pago pelo mês inteiro de consumo em minha casa pela Light!Acho um absurdo! Qundo foram colocados os pcs, pedi relogio monofasico só que instalaram bifasico… disseram não ter relogios mono, por isto pago mais caro! É certo isto?Atenciosamente,Elenir Calazans

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