08/04/2009

Conta de luz vai subir até 25% no interior de SP

Fonte: O Estado de S. Paulo

Clientes da CPFL, como indústrias, vão sofrer impacto da alta do dólar que aumentou custos de hidrelétricas

Brasília – A conta de luz ficará, em média, 21,56% mais cara a partir de hoje para 3,42 milhões de clientes da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL Paulista), que atua em 234 municípios do interior de São Paulo. O aumento foi aprovado ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que também autorizou reajuste médio de 6,21% para os clientes da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

O maior impacto será para a indústria. Na área coberta pela CPFL há vários polos produtivos do País, incluindo os municípios de Campinas, Ribeirão Preto, Bauru e São José do Rio Preto, o aumento pode chegar a 24,8%. Em Minas, os clientes industriais terão aumento de até 18,94%, sendo a média de reajuste de 9,42%.

Para as residências e o comércio, o aumento será de 20,19% na área da CPFL e de 4,87% para os clientes da Cemig. O reajuste contrasta com a revisão das tarifas da distribuidora paulista no ano passado, quando houve queda de 14%.

Para calcular o reajuste, a Aneel considera vários fatores, como a variação do IGP-M, que nos últimos 12 meses foi de 6,27%. A maior responsável pelos aumentos, no entanto, foi a alta do dólar, que provocou uma elevação nos custos da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu, principal fornecedora das distribuidoras do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

O diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, diz que no ano passado, a previsão feita para a compra da energia de Itaipu considerava uma cotação de R$ 1,68 para o dólar. Ele lembrou que de lá para cá a moeda americana oscilou acima dos R$ 2,20: “Com essa crise financeira, tivemos um aumento muito significativo no preço do dólar.”

A utilização de energia produzida pelas usinas térmicas, que é bem mais cara que a das hidrelétricas, também pesou para elevar o reajuste, representando 4,2 pontos porcentuais no índice da CPFL. “No ano passado, tivemos uma operação muito forte de térmicas para garantir o suprimento e a segurança energética do Brasil.”

Também houve elevação nos gastos com encargos setoriais, como o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Esses três fatores também devem contribuir para a elevação dos índices de reajustes de outras concessionárias, como o da Eletropaulo, previsto para 4 de julho.

Na votação, os diretores da agência manifestaram preocupação com o alto reajuste, principalmente para as indústrias, o que pode ter impacto direto na produção. “Temos que buscar uma solução. Alguma coisa que permita mudar o impacto dos próprios índices inflacionários, que na verdade alimentam os reajustes tarifários.”

A diretoria da Aneel aprovou também reajuste médio de 13,04% para as tarifas da Companhia Energética do Mato Grosso (Cemat). Já os clientes da Enersul, do Mato Grosso do Sul, não terão nenhum reajuste. A Aneel refez os cálculos da revisão tarifária de 2003 da Enersul e concluiu que houve um erro. Os valores cobrados a mais serão devolvidos na forma de redução nos índices de reajuste de tarifas de 2009 e 2010.

NÚMERO – 3,42 milhões é o número de clientes da CPFL Paulista, em 234 municípios de São Paulo, afetados pelo aumento.

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