30/10/2006

Contra ruído alto, muito jogo de cintura

Fonte: O Estado de S. Paulo

De latido de cachorro a barulho de rádio, síndicos gerenciam conflitos

AEZap o especialista em imóveis

É o som no volume máximo do filho adolescente do vizinho, o andar de salto alto da moradora de cima tarde da noite ou mesmo a empolgação de uma festa no apartamento ao lado. Viver num prédio de condomínio quase nunca é algo sossegado e o barulho incomoda mesmo.

Resta ao síndico solucionar o problema do condômino barulhento e administrar os protestos dos outros moradores contra ele. “O que eu mais tenho é reclamação de barulho”, afirma a síndica Esmeralda Alves dos Santos. Na função há dez meses no Condomínio e Edifício Horto do Ipê, no Parque Munhoz, zona sul da capital, onde já atuou por dois anos em outra gestão, ela coleciona casos nos quais o excesso de barulho incomodou não somente os moradores, mas a ela própria.

Cachorro

Mãe e filhos viajam de férias e deixam o cachorro preso na sacada do apartamento. Sozinho, o bicho late sem parar. “Meu interfone ficou a noite todinha tocando”, lembra a síndica. O jeito foi localizar o marido, médico de plantão naquela hora, que levou o cão para um hotel. “Como foi a primeira vez, nós o advertimos. Se tiver a segunda reclamação, ele vai ser multado.”

Após receber a queixa do morador, antes de fazer a notificação, Esmeralda verifica se ela procede e se realmente o problema está no apartamento em questão. “Às vezes, você acha que a reclamação é em cima, mas é do lado”, explica.

Salto alto 

No caso contado pela síndica do Condomínio Residencial São Cristóvão, em Osasco, Grande São Paulo, Marilena Andrade Junqueira, o barulho vinha mesmo de cima. Diariamente, um morador reclamava com a síndica de que já não agüentava mais a vizinha do pavimento superior andar de salto alto por todo o apartamento durante a noite. Marilena sugeriu que ele conversasse com o marido dela. A explicação dele foi que a mulher tinha 150 pares de calçados. O reclamante não se conteve: “E ela tem que experimentar todos numa noite só?” Acabaram virando amigos.

Marilena tem de ter jogo de cintura para tornar possível a convivência dos quase 6 mil moradores do edifício. “As reclamações são as mais variadas possíveis.” Ela tenta resolver tudo na ‘base da conversa’”. Mas, se precisa apelar ao recurso da multa, muitos não pagam. Nesses casos, a síndica adverte que a falta do pagamento ficará documentada e aparecerá na quitação de débito, no término do contrato do inquilino.

Rigidez

O síndico Cláudio Manoel Macedo Savazzoni gaba-se por não ter mais problemas com barulho dos moradores do Condomínio e Edifício Maison de la France, no Campo Belo, zona sul da capital. “Eles sabem que eu não dou moleza pra ninguém.” Desde o início de sua gestão, ele instituiu um rígido regulamento e constantemente passa circulares entre os condôminos. Ao primeiro deslize, advertência. Depois, multa. Na reincidência, o valor da sanção dobra.

A única exceção em uma década de administração sem barulho foi causada por um adolescente que incomodava a vizinha, uma mulher idosa, ao gravar e mixar músicas no apartamento. Por mais que os pais fossem multados, o problema persistiu por um ano e meio. Agora, dois anos depois de tudo resolvido, o garoto, com 17 anos, já trabalha como DJ e produz suas músicas num estúdio fora do edifício.
 

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