30/10/2006

Conversar pode ser a melhor solução

Fonte: O Estado de S. Paulo

Brigas de vizinho e desentendimentos em condomínio pedem mediadores que evitam ação judicial

Zap o especialista em imóveis

A mediação de conflitos é uma solução indicada para desentendimentos em condomínios. A dificuldade de viver em comunidade é comum e precisa ser trabalhada por meio de conversas para evitar que se recorra à Justiça sem necessidade. Casos de inadimplência no aluguel ou condomínio estão excluídos.

Conflitos como barulho dos vizinhos, animais domésticos, festas entre outros, causam enorme mal estar entre os moradores. Para o advogado especializado no setor imobiliário, Hamilton Quirino, conflitos como estes devem ser resolvidos por meio de mediação. “O síndico exerce, muitas vezes, o papel de mediador, mas nem todos estão preparados para isto”, diz Quirino, que também é autor do livro Condomínio Edilício: Manual Prático com Perguntas e Respostas, editado pela Lumen Juris Editora.
“Fazer um acordo não é perder. Mas é preciso que os dois lados aprendam a ceder”, afirma ele. “A mediação é um diálogo, um acordo e o ideal é que as conversas sejam feitas num local neutro”, aconselha.

Ele conta que foi criada no Rio de Janeiro uma Câmara Imobiliária de Mediação e Arbitragem, da qual é vice-presidente. É um trabalho feito em conjunto com o Sindicato da Habitação (Secovi-RJ), Sinduscon-RJ além de outros parceiros. “A cultura no Brasil para resolver litígios é a batalha, mas o melhor é negociar, é mediar.” Quirino afirma que o condomínio deve ser um local agradável, porque se tornou o refúgio das pessoas depois de um dia de trabalho e resolver os desentendimentos por meio da mediação ajuda a tornar o ambiente melhor.

Cerema – Ao perceber que muitos dos condomínios administrados pela empresa apresentavam problemas entre vizinhos, a Lello Administração Imobiliária indicou o Centro de Referência em Mediação e Arbitragem (Cerema). “A parceria surgiu da necessidade de ter uma solução para mediar conflitos e evitar ações judiciais não necessárias”, diz a superintendente de Marketing da Lello, Angélica Arbex.

Ela conta que fez pesquisas e descobriu que o Cerema (criado há dois anos), que é uma entidade sem fins lucrativos, trabalha com a mediação de conflitos com ajuda de advogados, psicólogos entre outros profissionais que são os mediadores.

A presidente do Cerema, Lia Justiniano dos Santos, que é advogada e mediadora, explica que o trabalho do grupo surgiu com a união dos profissionais que já faziam mediações em seus escritórios. “O mediador trabalha a comunicação com as pessoas que estão em conflito. Ele vai fazer perguntas e permitir que as pessoas se reencontrem, não é fácil mas é possível’, afirma Lia. A mediação é o meio extra judicial de solução de controvérsias, adotado nos Estados Unidos.

Embora seja uma instituição em fins lucrativos, o Cerema cobra pela hora da sessão do mediador. O preço fica entre R$ 150 e R$ 300 a hora. “São sessões de uma hora com as partes, como numa audiência aplicada como método de resolução e prevenção de conflitos”, diz Lia. “A mediação é sigilosa”, ressalta. A presidente do Cerema afirma que são feitas em média conciliações em 50% dos casos.

Serviço – www.cerema.org.br
 

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