19/10/2007

Crédito farto para comprar

Fonte: Jornal da Tarde

Recursos disponíveis ao financiamento imobiliário pelos bancos somam R$ 9 bilhões no quadrimestre

Monalisa Lins/AE-27/04/2006Zap o especialista em imóveisCom mais crédito, a classe média foi com tudo para comprar o seu imóvel

Além de um vasto leque de opções de imóveis a serem ofertados no mercado, aqueles que querem comprar a casa própria têm também um importante “estímulo” financeiro para realizar o sonho ainda neste ano. Desde o mês de setembro em diante, haviam cerca de R$ 9 bilhões disponíveis para crédito imobiliário entre recursos das cadernetas de poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O diretor do setor de Crédito Imobiliário da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Mauro Costa, explica que R$ 2,8 bilhões desse total provém do FGTS, que até agosto havia aplicado cerca de R$ 4 bilhões dos R$ 6,8 bilhões do seu orçamento destinado ao financiamento imobiliário. Os demais recursos (R$ 6 bilhões) deveriam ser liberados desde o mês passado pelos agentes financeiros do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

Costa explica que o montante destina-se tanto para o financiamento das empresas incorporadoras e construtoras como das pessoas físicas compradoras. E é o suficiente para dar conta da demanda por crédito imobiliário até dezembro. “Havendo um comportamento do mercado semelhante ao que vem ocorrendo no ano, o sistema financeiro está preparado para atender a demanda neste trimestre”, afirma.

A expectativa da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) é de que os financiamentos concedidos pelos bancos superem os R$ 16 bilhões este ano. De acordo com o superintendente técnico da Abecip, José Pereira Gonçalves, a perspectiva está baseada nos resultados obtidos desde o mês de janeiro. No SBPE, o volume de operações contratadas com recursos das cadernetas de poupança já soma R$ 12,18 bilhões no acumulado até setembro. Aliás, somente no mês passado, as contratações atingiram R$ 1,85 bilhão. Além de representar um novo recorde para um único mês, o volume superou em 136,89% o valor das contratações realizadas em setembro de 2006.

Em número de unidades financiadas, setembro registrou 18.170 imóveis. No acumulado do ano, o total chega a 135.363, um aumento de 64,99% em relação aos primeiros nove meses de 2006. Segundo Mauro Costa, entre os principais fatores que vêm contribuindo para as sucessivas quebras de recorde estão o controle dos índices de inflação e a estabilidade econômica de uma forma geral. “Isso estimula o compromisso a longo prazo. As pessoas estão mais confiantes”, diz.

Não só as pessoas como as próprias instituições financeiras. Prova disso são as linhas de financiamento com taxas de juros pré-fixadas e com prazos que chegam a 30 anos, como é o caso da Caixa Econômica Federal e do Santander, que lançou seu novo plano recentemente. “O momento é extremamente propício. O mercado oferece condições variadas com diferentes produtos que se encaixam nos vários perfis”, completa o superintendente da Abecip, José Pereira Gonçalves.

Analise qual a melhor linha para o seu caso

Ao mesmo tempo em que o “boom” de ofertas de imóveis e crédito para financiamento são considerados positivos para os consumidores, a diversidade de produtos no mercado acaba exigindo mais cuidado e atenção para quem pretende adquirir a casa própria ainda este ano. Antes de bater o martelo, especialistas recomendam sempre considerar algumas variáveis, como localização e perfil do imóvel e a forma de pagamento do bem.

Segundo o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, o interessado deve, antes de tudo, fazer simulações junto às instituições de crédito para saber qual a melhor opção. “Aquele que oferecer a menor prestação dentro de um mesmo prazo acaba sendo a opção mais econômica”, explica o economista.

Oliveira aconselha ainda juntar o máximo de recursos possível para dar de entrada e diminuir o período de financiamento. “Prazos longos significam custo final maior”, diz. Como auxílio, recomenda-se utilizar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e até o 13º salário para engordar a entrada. “Qualquer reserva financeira ou os recursos do FGTS devem ser utilizados para amortizar a dívida”, completa.

Entre as condições, conta ele, prefira as de taxas de juros pré-fixadas. Quanto aos tipos de amortizações adotados pelos bancos, ele aconselha optar pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), utilizado pelos bancos privados, ou Sistema de Amortização Crescente (Sacre), utilizado pela Caixa Econômica Federal. Em ambos, as amortizações do capital são crescentes ao longo do financiamento e as prestações decrescentes.

 

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