29/10/2006

Crédito imobiliário cresce 100%

Fonte: O Estado de S. Paulo

Dados da Abecip comparam o aumento ocorrido em setembro deste ano com mesmo mês de 2005

Robson Fernandjes/AEZap o especialista em imóveisAtração – Medidas legais de simplificação tornaram o crédito imobiliário interessante para os bancos

A concessão de crédito imobiliário no Brasil cresceu 100,61% na comparação de setembro deste ano ao mesmo mês de 2005. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e referem-se à captação de recursos das contas de poupança pelos agentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A pesquisa refere-se à concessão de instituições financeiras tanto privadas quanto estatais.

Em setembro deste ano, foram contratados em operações de crédito para compra de imóveis R$ 779,55 milhões, o que eleva para R$ 8,3 bilhões o volume contratado nos 12 meses compreendidos entre outubro de 2005 e setembro de 2006 (ante R$ 4,2 bilhões contratados nos 12 meses anteriores a outubro de 2005).

Conforme o superintendente-geral da Abecip, Carlos Eduardo Duarte Fleury, o crédito imobiliário no Brasil está começando a ingressar o caminho que é normal em outros países, onde é fatia substancial do PIB. Esse caminho, entretanto, ainda é longo. Basta ver, segundo Fleury, que nos EUA, por exemplo, o crédito para imóveis represente 70% do PIB. No Brasil, apenas cerca de 5%.

De qualquer forma, o aumento de 100% na concessão, ressalta Fleury, é o sinal de que o crédito imobiliário tornou-se um produto interessante para as instituições bancárias e esse interesse tem motivos. “Em 2004 houve uma grande modernização envolvendo a concessão desse empréstimo, por meio de uma lei. E houve também algumas medidas outras nesse sentido, como trabalhar com ou sem a correção monetária, para simplificar e tornar atraente a concessão”. Outro fator de atração para os bancos é que a simplificação das operações reduziu muito o número de discussões legais com o cliente, o que emperrava o pagamento de parcelas mensais. “E esse retorno mensal para os bancos é o que realmente interessa em termos financeiros. Que ele seja constante e regular”.

O interesse das instituições agora é tão maior que, segundo Fleury, elas têm concedido créditos que equivalem em geral a 80% do saldo em poupança, 20% além do que é obrigatório.

Ele explica ainda que ao interessado em obter o crédito, também houve medida legal que o protege contra falência da construtora, como aconteceu com a Encol.

Agora existe a figura legal chamada “patrimônio de afetação”, para imóveis comprados na planta. Isso significa que a construtora ou incorporadora não pode mais usar recursos de um dado empreendimento em outro de sua propriedade. A empresa é obrigada a reaplicar os recursos no mesmo empreendimento que os gerou.

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