10/06/2007

Crédito não supre toda a demanda

Fonte: O Estado de S. Paulo

Recursos atuais não eliminam déficit habitacional, diz FGV Projetos

Andrea Felizolla/AEZap o especialista em imóveisLentidão – Investimento em capital habitacional no País cresceu de R$ 200 para R$ 500 desde 1970

O Brasil comemora recordes de aplicação de recursos no crédito imobiliário – da ordem de R$ 20,3 bilhões, em 2006 – mas o investimento ainda é insuficiente para provocar uma redução significativa do déficit habitacional no País, da ordem de 7,9 milhões de moradias. Este é o diagnóstico do estudo O crédito imobiliário no Brasil, elaborado pela FGV Projetos, consultoria da Fundação Getúlio Vargas, divulgado esta semana em São Paulo.

“”O sistema é capaz de financiar apenas um terço da demanda por novas unidades. Mesmo a todo vapor, ele ainda está muito aquém das necessidades””, afirma Fernando Garcia, coordenador do projeto. Para que o setor imobiliário receba mais investimentos e, assim, contribua para alavancar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro – como deseja o governo federal -, será necessário que se atualize o modelo do crédito oferecido, alerta Garcia.

Uma das propostas da pesquisa é ampliar as fontes de recursos para o financiamento habitacional. Hoje elas estão concentradas no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e carteiras hipotecárias dos bancos. “”Há interesse do capital externo e da iniciativa privada. Outro instrumento é a securitização de títulos””, afirma.

Outra forma de manter o mercado aquecido é a criação de uma política de habitação continuada para a baixa renda. E redução dos custos de impostos aplicados às negociações.

Segundo o levantamento, o Brasil ampliou muito pouco o investimento em capital habitacional nas últimas décadas. Passou de R$ 200, em 1970, para R$ 500 por habitante, em 2005. No mesmo período, a Coréia do Sul, por exemplo, passou de US$ 200 para US$ 800 por habitante.

Mas como ressaltou Décio Tenerello, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Empréstimo (Abecip), durante debate de apresentação do projeto, um dos maiores entraves para o desenvolvimento do crédito imobiliário e crescimento do País é a renda. Garcia concorda: “”O desafio social vai ser atingir a faixa de renda de zero a seis salários mínimos, mas a experiência internacional mostrou que é possível””.

Exemplo

Ele cita o caso do Chile que deixou para trás uma história de déficit habitacional da ordem de 95% para 5% nos dias atuais, apostando numa política ousada de subsídios. “”A palavra subsídio assusta, mas é necessária para alavancar o setor da baixa renda.””

Ainda, a exemplo do Chile, Garcia sugere que o modelo brasileiro pode adotar um critério para liberação do crédito que leve em conta a capacidade de pagamento do tomador de crédito e não a sua renda.

Para ele, é necessário ainda que se facilite a tomada do crédito para a baixa renda, hoje muito burocratizada. “”No Brasil se demora de 60 a 90 dias para obter concessão de crédito, sendo que no México isso já é pré-aprovado.”” Segundo ele, isso foi possível por meio da padronização da documentação e dos produtos oferecidos à população.

 

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