18/11/2008

Crédito vai crescer menos, e inadimplência deve subir

Fonte: Jornal da Tarde

Depois de atingir crescimento de 32% nos últimos anos, crédito deve atingir, em 2009, uma expansão entre 12% e 15%

O ritmo de crescimento do crédito vai diminuir no próximo ano e a inadimplência vai aumentar. A previsão é da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamentos e Investimento (Acrefi).

Em estudo divulgado ontem, a Acrefi estimou entre 12% e 15% o crescimento do crédito em 2009. “A taxa de crédito vinha subindo cerca de 32% nos últimos anos, mas ela deve cair no ano que vem”, explica o economista-chefe da associação, Istvan Karoly Kasznar.

Segundo ele, com a previsão de queda do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede a geração de riquezas no País, para entre 3% e 4%, a geração de empregos será prejudicada, assim como a oferta de crédito.

Ao avaliar a relação entre o aumento do desemprego e a inadimplência entre 2005 e 2007, a Acrefi verificou uma influência direta: para cada um ponto porcentual de variação na taxa de desemprego, o índice de inadimplência sobe 0,02293%. “O desemprego é extremamente relevante para criar a inadimplência”, explica Kasznar, que levou em conta os empregos com carteira assinada para estabelecer a relação.

Com a expectativa de redução do crescimento do PIB em 2009, a tendência é que as vagas formais também sejam prejudicadas. Sem emprego e com a renda reduzida, muitos trabalhadores passam a atrasar o pagamento das dívidas. “Em um universo de 34 milhões de trabalhadores com carteira assinada, para cada um por cento de aumento do desemprego ocorre a entrada de 73 mil pessoas na inadimplência”, estima Kasznar.

Garantias
Para o presidente da Acrefi, Adalberto Savioli, o cenário não será pior devido ao perfil de crédito para pessoa física no Brasil. Cerca de 50% está concentrado em veículos e outros 22% em consignados – modalidades que possuem maiores garantias para os credores.

O presidente da Acrefi ressalta que o maior rigor dos bancos na hora de conceder empréstimos e financiamentos, nos últimos dois meses, não será suficiente para conter o aumento da inadimplência no ano que vem. “”Os bancos mais conservadores hoje não querem dizer que a inadimplência vai ficar estável. O volume já concedido é muito alto e será afetado pelo desemprego”, garante. Para ele, o rigor dos bancos só irá contribuir para que o crédito cresça menos.

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