01/07/2009

Cresce indústria imobiliária na Grande SP

Os motivos para este crescimento são diversos. Leia

Nos dois últimos anos, do total de unidades lançadas no mercado imobiliário (62.065 em 2007 e 63.035 em 2008), 41% encontram-se espalhadas fora da capital paulista, nos demais municípios que compõem a Grande São Paulo. Quadro este que não ocorria desde o período de 1996/1997, quando começaram a surgir as cooperativas habitacionais, a maioria extinta no ano seguinte. No biênio 2005/2006, os municípios da Grande São Paulo representavam 26% da produção da Região Metropolitana de São Paulo, e, em 2003/2004, exatos 22%.

Analisando esses números, fica claro o crescimento da indústria imobiliária, especialmente nos municípios do ABC, Guarulhos, Osasco, Cotia e Barueri/Santana de Parnaíba (notadamente em Alphaville e Tamboré). Os motivos para este crescimento da participação do restante da Região Metropolitana de São Paulo em comparação à capital são diversos. De um lado, estão os empreendedores valendo-se das oportunidades face ao preço reduzido da principal matéria-prima, o terreno. De outro, estão os potenciais consumidores, à procura de uma vida com mais qualidade, especialmente da família que deseja fugir dos problemas da “imobilidade” – o trânsito está cada vez mais difícil e não há como melhorar. Fugir do ar poluído, da insegurança, das extensas filas e de outras restrições da liberdade impostas pela megacidade.

Acrescentam-se às cidades de entorno os empreendimentos imobiliários (verticais, horizontais e loteamentos), que oferecem maior espaço físico, mais conforto em todos os sentidos e, o mais importante, o preço bastante atraente, sempre significativamente menor que o da capital. Outro aspecto que soma a favor das cidades da Grande São Paulo é a legislação de ocupação do solo, cada vez mais perversa na capital e mais liberal nas demais cidades. O que, consequentemente, encarece o custo do terreno na megacidade e barateia o produto nas pequenas.

Nesse sentido, os bons ventos sopram a favor das cidades de entorno, valendo-se, também, do retorno das novas e amplas linhas de financiamento, crédito farto, juros cada vez menores e o embrião de uma política habitacional efetiva para todo o Brasil, que vem também estimulando o desenvolvimento com fortes investimentos voltados para os segmentos de média e baixa rendas, justamente o produto mais procurado nessas cidades, assim como nas regiões intermetropolitanas.

*Luiz Paulo Pompéia é diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp)

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