02/12/2007

Crescimento do mercado e reflexo na locação

Fonte: O Estado de S. Paulo

O mercado imobiliário brasileiro encerrará o ano com elevados índices de expansão. De acordo com informações da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), só na cidade de São Paulo foram comercializados mais de 24 mil imóveis entre os meses de janeiro e setembro, 20,95% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. Número que supera, inclusive, o crescimento obtido pelo setor em 2006, que foi de 20,1% segundo o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi).

A expansão também é fruto das condições macroeconômicas do País, tais como a queda das taxas de juros; maior oferta de investimentos estrangeiros; melhores oportunidades para negociações em longo prazo e ofertas de crédito mais competitivas. É resultado, ainda, das estratégias adotadas pelas empresas. Para levantar recursos, construtoras e incorporadoras abrem seus capitais na Bolsa de Valores, incrementando seus produtos de acordo com a demanda cada vez mais crescente. As companhias imobiliárias também avançam pelo país por meio de parcerias e fusões.

Paralelamente, ações de marketing são intensificadas, para apresentar empreendimentos que, de fato, se tornam grandes sucessos de vendas. O desenvolvimento do mercado imobiliário não beneficia apenas o ramo da construção civil, mas atinge ainda os setores da compra e venda de imóveis, da locação imobiliária e dos serviços de administração de imóveis e condomínios.

Isso significa que, se o momento é favorável para a compra de imóveis, as condições para quem deseja alugar também são. Dos 45 milhões de domicílios existentes no País, 14,3% são alugados. Os grandes centros urbanos concentram as melhores oportunidades. Na cidade de São Paulo, por exemplo, 21,6% dos imóveis são alugados.

Tal expansão do aluguel nas cidades pode ser explicada por determinados fenômenos sociais. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), o Brasil vive hoje um período de transição demográfica, com o aumento da população de idosos e queda das taxas de fecundidade. Com isso, o número de integrantes das famílias brasileiras diminuiu. E fez crescer a procura por imóveis menores e por domicílios individuais. O IPEA também apontou mudanças no padrão migratório. Hoje, as pessoas mudam de ‘área urbana para área urbana’, sobretudo quem possui maior grau de escolaridade.

Portanto, o aquecimento do mercado imobiliário é reflexo da atual fase econômica, o que valoriza o preço dos aluguéis nos novos contratos, nas renovações e, inclusive, nos reajustes. A tendência é que atraia cada vez mais investidores, que comprarão imóveis para depois alugá-los, motivados pela queda das taxas de juros e renda no mercado de capitais, valorização do aluguel e aumento da liquidez.

De acordo com estudo da Lello Imóveis, o número de novos contratos de locação comercial cresceu 14% na cidade de São Paulo nos oito primeiros meses de 2007. A procura por imóveis de alto padrão para executivos cresceu 18% nesse mesmo período.

As administradoras de imóveis devem participar ativamente da evolução do mercado, preparando-se para novas conquistas. Nesse processo, o consultor assume compromissos que incluem saber orientar investimentos, conciliar e interagir com diversos interesses, gerenciar negócios e agir com responsabilidade no cumprimento de leis, normas e contratos. Tudo isso pautado pela transparência e observância de princípios éticos. Uma efetiva gestão imobiliária é garantia de rentabilidade e valorização patrimonial. Nesta linha, a tendência é que o mercado, como um todo, continue crescendo.

* José Roberto de Toledo é diretor da Lello Imóveis e ex-presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (Aabic)

 

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