24/06/2007

Crescimento do mercado é sustentado

Fonte: O Estado de S. Paulo
Hélvio Romero/AEZap o especialista em imóveisOtimismo – “Há ainda muito espaço a ser ocupado pela indústria da construção civil”, diz Bicalho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O mercado imobiliário atravessa fase de notável desenvolvimento, com números recordes de lançamentos, vasta oferta de crédito e de recursos disponíveis para compra de unidades prontas ou terrenos para empreender. Grande parte do impulso dos negócios veio da ampla capitalização de empresas do setor, que abriram seu capital com sucesso, assim como de investimentos na área imobiliária praticados por fundos nacionais e estrangeiros. Até mesmo as instituições financeiras, antes avessas a esse mercado por considerarem-no de baixa rentabilidade e alto risco, passaram a atuar de forma intensa e competitiva.

Tamanho crescimento tem despertado dúvidas quanto à sua sustentabilidade. Alguns analistas já manifestam visão cética quanto ao futuro próximo, vislumbrando uma super oferta de imóveis, com sua conseqüente desvalorização, impactando negativamente as empresas imobiliárias e até mesmo provocando o chamado “estouro da bolha”.

Afinal, vivemos um boom momentâneo ou desenvolvimento efetivo? O mercado imobiliário brasileiro passa por um momento de consolidação, que permitirá longo ciclo de crescimento. Ainda que ocorra excesso de oferta de alguns tipos de produto, será situação momentânea e localizada, que não afetará as empresas de modo geral, pois boa parte delas está ampliando suas áreas de atuação para outras localidades do território nacional, abrangendo capitais e interior, bem como diversificando seus produtos, para atuar nas diversas faixas de renda. Além disso, grande parte dos empreendimentos são lançados por meio de parcerias que permitem às empresas atuarem simultaneamente em ampla gama de negócios, diversas localidades, e mitigação de riscos.

O que hoje vemos é resultado do encontro de diversos fatores que criaram ambiente sólido e favorável ao setor imobiliário. Entre eles estão a estabilidade econômica, que permite o planejamento de longo prazo, e a queda de juros, que fomenta o investimento produtivo e viabiliza a aquisição de imóveis. No campo jurídico, a alienação fiduciária em garantia tornou as operações mais seguras e a criação dos certificados de recebíveis imobiliários e outros títulos, diversificou as formas de investimentos no setor.

No horizonte, há grande disponibilidade de recursos líquidos e o Brasil, alcançando o chamado grau de investimento, terá em seu mercado imobiliário, cada vez mais profissionalizado e seguro, uma das melhores opções para o investidor internacional.

Há ainda muito espaço a ser ocupado pelas indústrias imobiliária e da construção civil, impulsionadas pelo crédito imobiliário, que representa hoje menos que 2% do PIB – número quase inexpressivo quando comparado à participação do crédito imobiliário no PIB americano, de 69%, ou de países economicamente mais próximos do Brasil, como Chile, com 17% e México, com 11%.

Resta a questão: haverá consumidor para o que se pretende produzir? O País está longe de zerar seu déficit habitacional (hoje em torno de 7,9 milhões de habitações), e mesmo se já o tivesse feito, o crescimento necessário seria de 1,4 milhão de unidades por ano. Com todo crescimento experimentado, em 2006 foram financiadas apenas 115.523 habitações, segundo a Abecip. É verdade que a renda do consumidor sobe muito lentamente, mas novas opções de financiamento, com parcela fixa e prazo de até 20 anos compensam tal fato. Isso sem considerar os imóveis de segunda residência, comerciais, fábricas ou mesmo infra-estrutura, toda a ser refeita. Há tudo favorável para que o mercado imobiliário brasileiro tenha crescimento sustentado.

* Rodrigo Cury Bicalho é advogado especializado em Direito Imobiliário e Empresarial e integrante do Conselho Jurídico do Secovi-SP

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