18/12/2008

Crise afeta vendas e locação de imóveis residenciais

Fonte: Editoria Zap

Índice de vendas registra em outubro redução de 21,31%. E o índice estadual de locação baixar 11,37% em relação a setembro

A crise financeira global  influenciou o resultado das vendas de imóveis usados e na locação de imóveis residenciais em outubro no Estado de São Paulo. De acordo com a pesquisa do Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), as comercialização de casas e apartamentos foram 21,31% menores do que as de setembro, quando a crise começou, e o número de imóveis alugados teve queda de 11,37% em relação ao mês anterior.

O índice de vendas, que estava em 0,6141 em setembro, caiu para 0,4832 em outubro, redução de 21,31%. E o índice estadual de locação baixar 11,37% – caiu de 1,7174 para 1,5222.

“Não sabemos se foi realmente culpa da crise, até porque a maioria dos corretores declara não ter havido redução da oferta de financiamentos, mas é muito provável que essa queda seja resultado da decisão de muitos potenciais compradores de não comprar ativos de valor enquanto a tempestade não amainar”, afirmou o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto.

A análise do presidente leva em conta informações correntes entre os corretores e o resultado de pesquisa feita também em outubro pelo Conselho. De 31 imobiliárias consultadas na Capital, mais da metade – 61,29% – declarou não ter sentido redução na oferta de financiamentos para imóveis usados por parte dos bancos em outubro. Somente 25,81% declararam ter havido, enquanto 12,90% não responderam.

“Se não houve queda drástica no volume de crédito e também não aconteceu uma corrida de pessoas interessadas em comprar imóveis para investir como proteção às possíveis perdas nos investimentos financeiros, conforme declararam 80,65% dos corretores consultados, a explicação mais plausível é a de que houve um congelamento da decisão de compra”, enfatizou Viana Neto.

Ele espera que as medidas que o governo tomou para injetar recursos na economia, especialmente a que reduz o Imposto de Renda da classe média, contribuam para a recuperação da confiança e espantem o medo de contratar financiamentos de longo prazo. “Se a crise não causar impacto sensível no mercado de trabalho, outra variável fundamental do comportamento da economia e dos consumidores, é razoável esperar melhora das expectativas e conseqüentemente das vendas e da locação de imóveis”, afirmou Viana Neto.
Casas lideram vendas no Estado.

A queda nas vendas em outubro atingiu três das quatro regiões em que estão agrupadas as cidades pesquisadas – 26,36% na Capital, 29,21% no Interior e 27,83% no Litoral. Somente as cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco escaparam – houve crescimento de 9,62% em relação a setembro.

Possivelmente não por acaso, foi essa região a única em que a maioria dos imóveis vendidos teve financiamento bancário – 58,82% do total. As vendas à vista responderam por 39,71% dos contratos. Na Capital as vendas à vista responderam por 63,74% dos negócios fechados, no Interior por 56,19% e no Litoral por 62,5%.

PREFERÊNCIA – A pesquisa apurou que as casas foram o imóvel preferido dos compradores em outubro – 55% -, ficando os restantes 45% com os apartamentos. Já os responsáveis pelas imobiliárias divergiram em relação à percepção da situação do mercado em outubro comparativamente a setembro: 47,67% declararam que foi igual, 32,43% que foi pior e 19,90% que foi melhor.

Os imóveis mais vendidos em outubro situaram-se em faixas de preços diferenciadas conforme a região do Estado. Na Capital, os mais vendidos, com 37,62% do total, foram os com preço final acima de R$ 200 mil. No Interior, a faixa entre R$ 81 mil e R$ 100 mil respondeu por 19,91% dos negócios fechados.

No Litoral, os imóveis mais vendidos em outubro foram aqueles situados na faixa de valor entre R$ 41 mil e R$ 60 mil – concentraram 21,88% dos contratos. Os valores foram bem superiores na região do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco – 18,26%  dos imóveis vendidos situaram-se na faixa de R$ 141 mil a R$ 160 mil e acima de R$ 200 mil.

O imóvel de menor valor encontrado pela pesquisa entre os vendidos em outubro foram as casas de 3 dormitórios localizadas na área central de Araçatuba. O preço médio mínimo do m² foi de R$ 324,22, e o máximo, de R$ 525.

O imóvel de maior valor em outubro – R$ 3.814,43 o m² – foram os apartamentos de três dormitórios situados em bairros centrais da cidade de São Bernardo do Campo. Entre esses extremos, a pesquisa Creci-SP apurou preços diversos em cidades como Jundiaí – mínimo de R$ 1.062,50 por casas de três dormitórios na periferia e máximo de R$ 1.942,85 por casas de dois dormitórios no Centro – e Praia Grande, onde o preço mínimo de m² foi de R$ 857,14 por casas de dois dormitórios localizadas na região central e o máximo de R$ 2.214,29 por apartamentos de dois dormitórios também situados nessa área.

LOCAÇÃO CAIU – A queda no número de imóveis alugados em outubro atingiu as quatro regiões em que se agrupam as cidades pesquisadas. Na Capital, ela foi de 1,44%; no Interior, de 22,66%; no Litoral, de 13,75%; e na região do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco, de 6,99%. A inadimplência no Estado em outubro foi 13,21% maior que em setembro, passando de 4,24% para 4,8% dos contratos em vigor.

Os imóveis mais alugados em outubro foram as casas, com 65,64% do total. Imóveis com aluguel entre R$ 401 e R$ 600 concentraram 31,33% dos novos contratos na Capital. No Interior, a faixa de R$ 201 a R$ 400, apontou a maior concentração com 39,89% das novas locações, e com 32,18% na região do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco. No Litoral, a maioria dos novos contratos – 33,98% – teve como objeto casas e apartamentos com aluguel na mesma faixa da Capital.

Os contratos assinados com garantia do fiador no Interior – 85,23% – representaram mais que o dobro dos formalizados do mesmo modo na Capital (40,84%) e na região do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco (40,61%). No Litoral, o fiador esteve presente em 48,57% dos novos contratos. 

O levantamento apurou que o aluguel mais barato do Estado em outubro foi de R$ 120 – valor de casas de um dormitório localizadas na periferia de Santo André, região em que o valor máximo é de R$ 400 para este tipo de imóvel. O aluguel mais caro – R$ 5.000 – foi encontrado em São Bernardo do Campo e se refere a casas de três dormitórios localizadas em área nobre da cidade.

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